Dados apresentados na abertura mostram avanço da produção e força do mercado de pescado em Mato Grosso do Sul
Rafael Belo – Produção, tilápia, consumo e vendas entram no centro do debate durante a campanha, que reúne setor público, comércio e gastronomia
Mato Grosso do Sul abriu nesta segunda-feira (31) a Semana do Pescado 2026 com um cenário de crescimento da produção e de movimentação do mercado. A campanha, que se estende por 15 dias, reúne poder público, produtores, comércio, peixarias e restaurantes com uma proposta simples: aproximar o pescado do consumidor e transformar a promoção em hábito de consumo. No Mercadão Municipal, a mobilização já começou há meses, enquanto os dados apresentados na abertura ajudam a dimensionar o tamanho que essa cadeia vem alcançando no Estado.
Segundo os dados apresentados por Marcelo Heitor, Superintendente Federal da Pesca e Aquicultura de Mato Grosso do Sul, o Estado ultrapassou 53 mil toneladas de pescado cultivado em 2025, após um crescimento de aproximadamente 20% em relação a 2024. Desse total, 38,7 mil toneladas foram de tilápia, espécie que responde por praticamente 80% da produção estadual. Marcelo também destacou a posição de Mato Grosso do Sul nas exportações: o Estado é o terceiro maior exportador brasileiro de tilápia e o maior exportador da espécie para os Estados Unidos.
O desempenho não aparece apenas na produção. Para Marcelo, a piscicultura sul-mato-grossense encontrou espaço para crescer pela combinação de posição geográfica, proximidade de grandes mercados produtores e consumidores, estrutura produtiva e diversificação de renda no campo. O Estado já reúne uma cadeia que vai do cultivo à industrialização e ao aproveitamento de subprodutos, como o couro. A expectativa é manter em 2026 o ritmo de crescimento observado nos últimos anos, estimado entre 15% e 20%, embora o número consolidado deste ano só seja conhecido com a divulgação dos levantamentos oficiais.
“Mato Grosso do Sul acordou para isso”, resume Marcelo ao falar sobre a expansão da atividade. Ele também aponta a logística como uma frente de futuro, especialmente com a integração proporcionada pela Rota Bioceânica e a possibilidade de ampliar o acesso a mercados consumidores de pescado. Na avaliação do superintendente, a cadeia sul-mato-grossense ainda tem muito espaço para avançar.
No comércio, a Semana do Pescado chega com uma força que já virou tradição. Cleuber Linares, empresário do setor de pescado e representante do Mercadão Municipal de Mato Grosso do Sul, conta que a preparação começa logo depois da Semana Santa, com negociação antecipada com fornecedores para buscar melhores preços e repassar parte desses ganhos aos consumidores. “Depois da Semana Santa, a Semana do Pescado é a semana de maior intensidade nas vendas”, afirma.
A Peixaria do Mercadão, que tem cerca de 50 anos de atividade, preparou uma variedade de produtos para a campanha. Estão previstas promoções de peixes de água doce, camarão, produtos semiprontos, peixe inteiro, cortes, postas e filés. As pastelarias também entram na campanha com sabores especiais, incluindo o já conhecido pastel em formato de peixe. A ideia, segundo Cleuber, é trabalhar preço e variedade para levar o consumidor a experimentar cortes e espécies que nem sempre fazem parte da compra cotidiana.
Os números de consumo mostram que essa mudança já está acontecendo. Cleuber lembra que, em 2003, o consumo médio brasileiro era de cerca de 6 quilos de pescado por pessoa ao ano. Hoje, segundo o dado citado por ele, o país está na faixa de 12 a 13 quilos. Na avaliação do empresário, a própria Semana do Pescado ajudou a impulsionar essa trajetória, junto à busca crescente por uma alimentação mais saudável e ao avanço da aquicultura brasileira.
A mobilização também tem impacto direto nas vendas. Cleuber estima que o setor venha registrando crescimento nas vendas de pescado ano a ano na faixa de 3% a 4%, podendo chegar a um percentual ainda maior. Para os 15 dias da campanha, a expectativa é de avanço entre 15% e 20% sobre períodos normais, embora ele lembre que, em anos anteriores, o aumento chegou a aproximadamente 30%. Marcelo, por sua vez, cita uma faixa de 25% a 30% ao comentar os resultados expressivos observados durante a Semana do Pescado.
Mais do que uma ação promocional, a campanha foi apresentada como um ponto de encontro entre diferentes partes da cadeia. Peixarias, restaurantes e entidades do setor participam da mobilização, com destaque para as promoções no Mercadão e a participação da Abrasel, que amplia a oferta de pratos à base de pescado. Para Marcelo, essa união é fundamental. “É muito importante essa união. Eu estou muito feliz desse trabalho em conjunto com eles”, afirma.
DADOS E LEVANTAMENTOS
* Mais de 53 mil toneladas de pescado cultivado em Mato Grosso do Sul em 2025.
* 38,7 mil toneladas de tilápia em 2025, segundo dado apresentado por Marcelo Heitor.
* Crescimento de aproximadamente 20% na produção total entre 2024 e 2025.
* Ritmo de crescimento estimado entre 15% e 20% ao ano nos últimos anos.
* Mato Grosso do Sul é apontado por Marcelo como terceiro maior exportador brasileiro de tilápia e maior exportador da espécie para os Estados Unidos.
* Consumo brasileiro citado por Cleuber Linares: de cerca de 6 kg por pessoa/ano em 2003 para aproximadamente 12 a 13 kg atualmente.
* Crescimento estimado das vendas de pescado ano a ano na faixa de 3% a 4%, podendo chegar a percentual maior, segundo Cleuber Linares.
* Expectativa de aumento das vendas na Semana do Pescado: entre 15% e 20% sobre períodos normais, com registros anteriores de até cerca de 30%.
* Campanha com 15 dias de ações, promoções e mobilização da cadeia produtiva.
Fonte dos dados institucionais: informações apresentadas por Marcelo Heitor, com referência à Semadesc e à Superintendência Federal da Pesca e Aquicultura de Mato Grosso do Sul. Os dados comerciais e de vendas do Mercadão são atribuídos a Cleuber Linares, conforme entrevista.



