Pré-candidato a governados defende soberania nacional e guinada no modelo econômico estadual
Em entrevista a veículos de todo o País, pré-candidato ao governo pelo PT alerta que sobretaxa americana de 25% vai drenar bilhões do PIB e defende transição econômica para proteger os trabalhadores do estado
O pré-candidato ao governo de Mato Grosso do Sul pelo PT, Fábio Trad, manifestou nesta quinta-feira (16 de julho) forte preocupação com a recente sobretaxa de 25% imposta pelo governo de Donald Trump às exportações brasileiras para os Estados Unidos, com possíveis prejuízos ao Estado. Em entrevista a uma banca de jornalistas de veículos de imprensa de todo o País, o advogado, professor de Direito e ex-deputado federal avaliou que a medida ultrapassa os limites comerciais e configura uma interferência política e eleitoral direta na soberania nacional.
A análise foi feita durante conversa com jornalistas da Carta Capital, TVTNews, Brasil 247, ICL Notícias, Portal Vermelho e Revista Fórum, com transmissão do Centro de Estudos de Mídia Alternativa Barão de Itacaré.
Segundo Trad, o objetivo claro da gestão americana é desestabilizar o cenário político brasileiro para favorecer candidaturas de oposição aliadas, apontando o governo Trump como o grande patrocinador da candidatura de Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, que está preso por tentar dar um golpe de Estado.
Apesar de a carne — uma das principais riquezas de Mato Grosso do Sul — ter sido poupada no anúncio aduaneiro, Fábio Trad alerta que o Estado sentirá o impacto da medida em frentes produtivas cruciais:
“Essa taxação representa bilhões de reais a menos no nosso PIB e atinge diretamente o Mato Grosso do Sul. Afeta o ferro-gusa, com o qual trabalhamos fortemente aqui, e atinge também tudo aquilo que circunscreve a agroindústria relacionada aos produtos primários do nosso Estado”, observou.
“O que eu espero é que o presidente Lula mantenha sua firmeza, e nós brasileiros não nos curvemos a essa política de chantagem”, completou.
Modelo econômico frágil
Essa crise entre Brasil e o governo estadunidense, na visão do petista, expõe a fragilidade de um modelo econômico estadual focado quase exclusivamente na exportação de matéria-prima bruta. Ele defende uma transição urgente para uma arquitetura econômica que agregue valor aos produtos primários por meio da tecnologia e da pesquisa científica.
Na avaliação do pré-candidato do PT, Mato Grosso do Sul insiste em um erro capital, que é o modelo econômico agroexportador de produtos primários. “A remuneração é baixa e a empregabilidade é pequena porque a atividade é extremamente mecanizada. Nós precisamos agregar valor aos nossos produtos primários, conectando tecnologia à nossa vocação agrícola. O século XXI é cerebral, é da inovação e da pesquisa”.
Na proposta defendida por Fábio Trad, esse caminho passa pelo fomento a agências de tecnologia, incubadoras e aceleradoras “para que o nosso desenvolvimento beneficie a todos, e não apenas a uma pequena fração de uma elite historicamente privilegiada.”
A urgência dessa mudança se justifica pelo fato de que o crescimento econômico propagandeado pela atual gestão não tem se refletido na vida real da população sul-mato-grossense, prossegue. Trad aponta que Mato Grosso do Sul foi o único estado do Centro-Oeste a estagnar no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), amargando uma taxa de 17,7% de extrema pobreza.
Essa desigualdade social profunda gera reflexos diretos na precarização de serviços essenciais como segurança, saúde e educação, pontuou na conversa com o grupo de jornalistas.
Outros setores
No setor de segurança pública, o diagnóstico apresentado é de abandono. Fábio Trad lembrou que Mato Grosso do Sul enfrenta um déficit de pessoal de 40% na Polícia Civil e de 45% na Polícia Militar, o que representa um desfalque de 5.500 policiais nas ruas.
Também criticou duramente a falta de vigilância na fronteira seca e defendeu a reativação do Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras (SISFRON) em parceria com as forças federais, além de ações de inteligência e rastreabilidade do dinheiro do crime organizado.
A falta de proteção, abordou, também é sentida na violência social, com índices alarmantes de feminicídio e o assassinato sistemático de indígenas em conflitos agrários.
Na saúde, o pré-candidato apontou que a falta de recursos para implantar leis modernas, como a distribuição gratuita de cannabis medicinal pelo SUS, decorre de uma verdadeira “hemorragia orçamentária”.
Ele denuncia que o governo estadual abre mão de mais de 50% de sua receita tributária anual como benefício fiscal, sem contrapartida que justifique essa sangria financeira. Esse modelo de renúncia fiscal, argumentou, beneficia poucas empresas privadas e retira cerca de R$12 bilhões dos cofres públicos quepoderiam estar sendo investidos em hospitais e programas sociais de atendimento à população carente.
Indagado sobre a situação da educação pública, o pré-candidato falou do cenário de crise, exemplificado pelo caos administrativo na Capital, Campo Grande, onde há um déficit de mais de 15 mil vagas em creches municipais e uma iminente greve de professores.
Trad também criticou a terceirização do ensino técnico e propôs que o Estado valorize a rede pública de ensino através de parcerias com universidades federais e estaduais (como UFMS, UEMS e UFGD) e com o Instituto Federal (IFMS), fortalecendo a formação dos jovens de forma integrada e gratuita.
Ao final, Fábio Trad reafirmou o caráter social de sua caminhada ao governo, destacando que sua missão é constitucionalizar o estado de Mato Grosso do Sul, trazendo todos para a “mesa da dignidade”, para que seja devolvida aos grupos que historicamente foram excluídos do debate político e econômico regional, como indígenas, quilombolas, assentados, acampados e mulheres vítimas de violência doméstica. Para o pré-candidato, o período em que a sede do poder estadual funcionava sob a lógica da exclusão e dos privilégios precisa chegar ao fim.




