Segundo a psicóloga Lívia Barreto, da Mental One, os avós de hoje vivem uma nova relação com a idade, mais ativa, conectada e integrada às outras gerações, o que transforma também a forma como vínculos familiares são construídos.
No dia 26 de julho é celebrado o Dia dos Avós, uma data que, segundo especialistas, também ajuda a refletir sobre como o envelhecimento vem sendo ressignificado na sociedade contemporânea.
Para a psicóloga Lívia Barreto, da Mental One, as novas gerações de avós representam uma mudança importante na forma como a velhice é vivida e percebida. Mais conectados, ativos e presentes na rotina digital e social, esses avós se distanciam de um modelo mais tradicional de envelhecimento marcado pelo isolamento e pela menor participação no cotidiano das famílias.
“Estamos diante de uma das primeiras gerações de avós que já chega à terceira idade de forma muito mais conectada com o mundo. São pessoas que usam smartphone, estão nas redes sociais, fazem atividades físicas e buscam uma vida mais ativa e saudável. Isso muda completamente a forma como se relacionam com os filhos e netos”, explica.
Segundo a especialista, essa aproximação entre gerações cria um ambiente mais rico de troca, no qual diferenças de idade passam a conviver de forma mais integrada e menos hierárquica.
“Antes, havia uma separação mais clara entre o mundo dos idosos e o das outras gerações. Hoje, existe muito mais convivência, compartilhamento de experiências e interesses em comum. Isso fortalece vínculos e cria uma sensação de pertencimento entre as gerações”, afirma.
Lívia destaca ainda que essa convivência tem impacto direto na forma como jovens enxergam o próprio envelhecimento. A relação com avós mais ativos e saudáveis pode funcionar como uma espécie de espelhamento positivo para o futuro.
“Quando a gente convive com avós que se cuidam, fazem exercício, se alimentam bem e têm uma vida social ativa, isso também influencia a forma como imaginamos o nosso próprio envelhecer. Existe um processo de identificação e de inspiração, em que o envelhecimento deixa de ser visto apenas como perda e passa a ser também associado a continuidade, vitalidade e propósito”, diz.
Para a psicóloga, esse novo cenário reforça a importância dos vínculos intergeracionais como espaço de troca, aprendizado e construção de memória afetiva.
“É uma convivência muito rica, porque junta experiências de vida muito diferentes em um mesmo ambiente. E isso fortalece tanto os vínculos familiares quanto a forma como cada geração se entende dentro da sociedade”, conclui Lívia Barreto.




