Imunização contra gripe e outras doenças infecciosas demonstra eficácia comparável a medicamentos como estatinas na prevenção de infartos e AVC, especialmente em populações de risco
Quando se fala em prevenção de doenças cardiovasculares, controlar a pressão arterial, o diabetes e o colesterol costuma estar entre as principais recomendações. Mas além desses fatores, a vacinação também contribui para a proteção da saúde cardiovascular, ao reduzir infecções que podem causar ou agravar complicações cardíacas e vasculares.
Segundo o consultor médico do Sabin Diagnóstico e Saúde, Alexandre Cunha, a imunização deve ser considerada o “quarto pilar” fundamental na proteção do coração. A análise reforça um movimento global, endossado por estudos da Sociedade Europeia de Cardiologia, que posiciona a imunização como uma intervenção tão ou mais importante quanto os tratamentos tradicionais.
O elo entre infecções e problemas cardíacos é direto. “Infecções respiratórias, como a gripe, são eventos inflamatórios e trombogênicos, ou seja, aumentam a formação de coágulos e a inflamação sistêmica, elevando drasticamente o risco de um infarto ou AVC”, explica o especialista. “Estudos demonstram que vacinar um paciente pós-infarto contra a gripe reduz a mortalidade por todas as causas em até 45%. A eficácia é comparável à de medicamentos amplamente utilizados, como as estatinas”.
A proteção, detalha o médico, vai muito além da gripe. Vacinas conjugadas contra o pneumococo (como a PNV13 e a PNV20), o Vírus Sincicial Respiratório (VSR) e o herpes zoster (cobreiro) são aliadas na proteção de adultos, principalmente idosos e pacientes com comorbidades.
O médico destaca que, embora a vacinação seja recomendada para toda a população, incluindo indivíduos saudáveis, seu benefício é ainda mais expressivo em pacientes com condições crônicas ou idade avançada.
“Em pacientes de alto risco, pode diminuir hospitalizações e contribuir para a autonomia e qualidade de vida na terceira idade, pois a prevenção de infecções evita descompensações clínicas que podem acelerar o declínio funcional desses pacientes”, explica Alexandre Cunha.
Nesse sentido, o médico reforça que a imunização deve ser entendida como parte da estratégia de cuidado integral. “Manter o calendário vacinal atualizado é uma das medidas mais eficazes para proteção individual e coletiva, com impacto direto na promoção do envelhecimento saudável”, completa.



