Teatro – Freud e C.S. Lewis chegam a Campo Grande

Espetáculo estrelado por Odilon Wagner e Marcello Airoldi terá apenas três
apresentações no Teatro Glauce Rocha e propõe uma reflexão sobre fé, razão, existência
e relações humanas

O BRACHT – FOS JOÃO CARLOS – Um dos espetáculos mais aclamados do teatro brasileiro contemporâneo desembarca em Campo Grande no mês de agosto. Após conquistar mais de 180 mil espectadores, ultrapassar 400 apresentações e percorrer o país em três turnês nacionais, a peça “A Última Sessão de Freud” será apresentada nos dias 7, 8 e 9 de agosto, no Teatro Glauce Rocha.

Estrelada por Odilon Wagner e Marcello Airoldi, sob direção de Elias Andreato, a
montagem coloca frente a frente dois dos maiores pensadores do século XX: Sigmund
Freud, pai da psicanálise, e o escritor britânico C.S. Lewis, autor de obras consagradas
como “As Crônicas de Nárnia”. A partir de um encontro fictício, o espetáculo conduz o
público por um intenso debate sobre fé, ciência, amor, morte, sofrimento e o sentido da
vida.

As apresentações acontecem na sexta-feira (7) e no sábado (8), às 20h, e no domingo
(9), às 17h. Os ingressos variam entre R$ 25 e R$ 180 e estão disponíveis pela internet.
Um encontro que nunca aconteceu, mas poderia ter mudado a história

Ambientada em 1939, no início da Segunda Guerra Mundial, a peça imagina um encontro
entre Freud e Lewis na Inglaterra. Enquanto o criador da psicanálise mantém sua posição
crítica em relação à religião, Lewis surge como um intelectual que abandonou o ateísmo
para se tornar um dos mais influentes defensores da fé cristã baseada na razão.

O que começa como uma conversa sobre a existência de Deus rapidamente se
transforma em um confronto de ideias que atravessa temas universais. Questões sobre
natureza humana, espiritualidade, relacionamentos, sexualidade e finitude ganham
espaço em uma narrativa marcada pelo humor refinado, pela ironia e pela capacidade de
provocar reflexão sem impor respostas.

Em tempos de polarização e discursos cada vez mais radicalizados, o espetáculo
encontra força justamente naquilo que parece estar em falta: a disposição para ouvir o
outro.

Fenômeno de público e crítica

Desde a estreia, em 2022, “A Última Sessão de Freud” consolidou-se como um dos
maiores sucessos do teatro nacional. A montagem permanece em cartaz há quatro anos,
sem interrupções, acumulando temporadas consecutivas e sessões esgotadas em
diversas cidades brasileiras.

O trabalho também recebeu reconhecimento da crítica especializada. Pela interpretação
de Freud, Odilon Wagner foi indicado aos prêmios Shell, APCA e Bibi Ferreira, três das
principais premiações das artes cênicas no Brasil.

A direção de Elias Andreato aposta em uma encenação que privilegia a palavra e o
pensamento, permitindo que o texto de Mark St. Germain ocupe o centro da experiência
teatral. O cenário, assinado por Fábio Namatame, reproduz o consultório de Freud
durante seu exílio na Inglaterra, recriando o ambiente onde se desenvolve o embate
intelectual entre os personagens.

Espetáculo dialoga com diferentes públicos

Embora tenha como ponto de partida figuras históricas, a peça ultrapassa os limites da
biografia e estabelece conexões com questões contemporâneas. Não por acaso, a
montagem costuma atrair estudantes, professores e profissionais das áreas de Psicologia,
Filosofia, História, Letras, Teologia e Ciências Humanas, além do público tradicional de
teatro.

Ao longo dos últimos anos, o espetáculo também motivou debates em universidades e
espaços culturais pelo país, impulsionando discussões sobre convivência, tolerância e a
importância do diálogo em uma sociedade marcada por divergências ideológicas e
religiosas.

Para Odilon Wagner, interpretar Freud representa uma das experiências mais
significativas de sua trajetória artística. Segundo o ator, a recepção do público ao longo
das temporadas demonstra a atualidade dos temas abordados e a necessidade de refletir
sobre a construção de uma cultura de paz.

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