Trabalho de inteligência que durou cerca de um mês culminou na descoberta de um megaentreposto do tráfico de drogas na Sitioca Ouro Fino, às margens da BR-163, em Dourados, nesta quarta-feira (29/7). A operação resultou na prisão de dois homens e na apreensão de aproximadamente 10 toneladas de maconha, além de veículos e equipamentos utilizados na logística da organização criminosa.
Segundo a polícia, há cerca de 30 dias equipes receberam informações sobre uma movimentação considerada incomum em um barracão da região, principalmente durante a noite. A partir da denúncia, o setor de inteligência passou a monitorar o imóvel de forma discreta.
Na manhã de hoje, os policiais observaram a chegada de uma Toyota Hilux SW4 prata ao barracão, acompanhada por um Volkswagen Tera branco. Quando o Tera deixou o local, a equipe realizou a abordagem.
No veículo estavam Renato Pazeto Franco, de 27 anos, e Luan Gonçalves Sarate, de 28, ambos moradores em Ponta Porã. Durante a abordagem, Renato contou que já havia sido preso por tráfico de cocaína e revelou que receberia R$ 5 mil para conduzir a Hilux SW4 da cidade onde mora até o barracão. Ele ainda admitiu que utilizava tornozeleira eletrônica, mas havia rompido o equipamento há quatro dias. Já Luan preferiu permanecer em silêncio.
Os policiais entraram no barracão e encontraram uma verdadeira estrutura voltada ao armazenamento e distribuição de drogas. No local estava Toyota Hilux SW4 com registro de roubo em Coronel Sapucaia, carregada com maconha, além de um caminhão, um caminhão-baú, uma empilhadeira, um contêiner completamente abarrotado de fardos de maconha, balanças de precisão e outros equipamentos utilizados na operação criminosa.
O que mais chamou a atenção dos investigadores foi o nível de organização da logística montada pela quadrilha. Os fardos de maconha já permaneciam separados e acondicionados dentro do contêiner e com o auxílio da empilhadeira, a droga era retirada e colocada diretamente no caminhão-baú.
Para a PRF (Polícia Rodoviária Federal), a estrutura demonstra a profissionalização da organização criminosa, que investiu em equipamentos para agilizar a movimentação de grandes cargas de entorpecentes.
A estimativa inicial é de que aproximadamente 10 toneladas de maconha estavam armazenadas no local, prontas para serem encaminhadas a outro estado da federação.
As investigações também apontam que as três últimas caminhonetes furtadas em Dourados teriam sido trocadas por cerca de 500 quilos de maconha cada. Segundo a polícia, todo esse entorpecente foi levado para o barracão descoberto durante a operação.
Durante o trabalho de inteligência, os policiais ainda identificaram a placa de um veículo Corsa utilizado no apoio aos furtos das caminhonetes. As informações foram repassadas ao delegado Dermeval Neto, titular do 1º Distrito Policial de Dourados.
As investigações continuam em conjunto entre as forças policiais e a PC (Polícia Civil) para identificar outros integrantes da organização criminosa, esclarecer a participação de cada envolvido e aprofundar as apurações sobre o esquema que utilizava o barracão como centro de armazenamento e distribuição de drogas.



