Parkinson: sintomas “invisíveis” e novas terapias são chaves para preservar qualidade de vida

rasil caminha para ser o 5º país com mais casos da doença no mundo; Especialista do Hospital do Coração explica como a detecção de sinais não motores e novos fármacos aprovados pela Anvisa podem revolucionar o tratamento e a autonomia do paciente

Com o envelhecimento acelerado da população brasileira, o Parkinson consolidou-se como a segunda doença neurodegenerativa mais comum no mundo. O Brasil caminha para ser o 5º país com o maior contingente de pessoas com a condição, ultrapassando a marca de 200 mil casos e atingindo uma prevalência de aproximadamente 1% da população acima dos 60 anos.

Em Mato Grosso do Sul, o cenário acompanha essa tendência. Dados do Governo do Estado indicam que a população idosa já soma 391,1 mil pessoas, considerando levantamento com base em 2022, o que reforça o avanço do envelhecimento e a necessidade de atenção a doenças neurodegenerativas, como o Parkinson.

Diante deste cenário, a médica clínica do Hospital do Coração, de Campo Grande, Dra. Janda de Oliveira Campos Ramos, alerta que o diagnóstico precoce e a atenção a sinais não motores, são decisivos para o sucesso do tratamento. “O Parkinson é frequentemente associado apenas ao tremor, mas ele é apenas a ponta do iceberg. Sintomas como perda de olfato, distúrbios do sono, depressão e ansiedade podem surgir anos antes das alterações motoras”, explica a médica. 

Atualmente, a Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que 10 milhões de pessoas vivam com a doença no mundo, número que deve dobrar até 2040 devido ao aumento da longevidade. 

Sinais de alerta: Além do tremor

“O diagnóstico precoce é o primeiro desafio, pois estima-se que, quando os primeiros sintomas motores aparecem, o paciente já tenha perdido de 60% a 80% dos neurônios dopaminérgicos”, explica Dra. Janda. 

Por isso, a atenção a sinais leves e inespecíficos é fundamental, como:

  • Alterações motoras: Rigidez muscular, lentidão de movimentos (bradicinesia), alteração na escrita (letra menor), diminuição da expressão facial e mudanças na postura.
  • Sinais não motores: Dificuldade em sentir cheiros comuns (café, perfume) e alterações no sono, como falar, gritar ou se movimentar excessivamente durante a noite.
  • Saúde mental: Depressão e ansiedade são comuns, podendo surgir antes dos sintomas motores, impactando a qualidade de vida e a adesão ao tratamento.

“Muitas pessoas descobrem a doença em estágios avançados porque os sintomas iniciais são confundidos com o envelhecimento normal. É essencial procurar ajuda médica ao perceber tremor persistente ou qualquer mudança progressiva nos movimentos”, reforça a médica clínica do Hospital do Coração.

O ano de 2026 está marcando uma nova era para os pacientes, após a aprovação de novos fármacos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), em novembro de 2025. Entre os destaques está o Produodopa, uma infusão subcutânea contínua que reduz os períodos de imobilidade (“off”) em estágios avançados. Outra inovação é o Tavapadon, um agonista seletivo que surge como opção promissora, tanto para o tratamento precoce quanto tardio, com menos efeitos colaterais que as terapias tradicionais.

Abordagem Multidisciplinar e Apoio Familiar

Embora seja uma condição neurológica, o manejo do Parkinson exige a integração entre neurologia, geriatria e a clínica médica. “O médico clínico possui papel fundamental na identificação inicial da doença, e em quais etapas o paciente seguirá o tratamento”, explica a Dra. Janda de Oliveira. 

Para as famílias, o papel é prático e emocional: “O apoio envolve estimular a autonomia do paciente, auxiliá-lo na rotina das medicações e incentivá-lo na prática de atividades físicas, além, claro, da socialização, fundamental para preservar a qualidade de vida por muitos anos”, orienta a especialista.

DGBB Comunicação & Estratégia

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