Longa foi reconhecido pelo Júri Oficial com narrativa sobre amizade, pertencimento e representatividade LGBTQIAPN+

Evelise Couto – O longa-metragem Natasha venceu, na noite deste sábado, 1º de agosto, o Prêmio do Júri Oficial na Mostra Competitiva do Filme Sul-Mato-Grossense da 4ª edição do Bonito Cinesur – Festival de Cinema Sul-Americano, realizado em Bonito (MS).
A premiação marca um novo capítulo para uma obra que nasceu como série, em 2017, e ganhou nova vida nas telas em formato de longa-metragem. Com uma narrativa marcada por afeto, resistência e busca por pertencimento, Natasha reafirma a potência do audiovisual produzido em Mato Grosso do Sul e a importância de histórias que ampliam olhares sobre diversidade, identidade e direitos humanos.
Baseado no roteiro de Antoni Magalhães, o filme acompanha Nicole, Inês e Leona, amigas que, após o assassinato de Natasha, transformam o luto em movimento. Com poucos recursos e uma Kombi emprestada, elas atravessam Mato Grosso do Sul até Mato Grosso para realizar o sonho que a amiga não pôde viver: participar do concurso de drag queens Raio de Sol do Pantanal.
O que começa como homenagem se transforma em uma travessia profunda, marcada por preconceitos, descobertas e enfrentamentos. Ao colocar corpos, vivências e afetos LGBTQIAPN+ no centro da narrativa, o longa constrói uma história sensível sobre memória, amizade e resistência.
A adaptação para o cinema foi conduzida por Ana Ostapenko, diretora da adaptação cinematográfica, em parceria com Kojiro, responsável pela direção de edição e montagem. O desafio foi transformar uma série de 13 episódios, dirigida originalmente por Thiago Rotta e Rafael Rotta, em uma experiência cinematográfica única, preservando a força estética, afetiva e temática da produção original.
Para Ana, o prêmio reconhece não apenas o resultado final do longa, mas também o percurso coletivo que tornou a obra possível.
“Esse prêmio é muito significativo porque reconhece não só o filme, mas uma equipe inteira e uma trajetória construída ao longo de anos. Natasha nasceu como série, foi revisitada com muito cuidado e agora chega ao cinema com uma força renovada. Ver esse caminho ser reconhecido pelo júri é uma alegria enorme”, pontua.
Responsável pela direção de edição e montagem, Kojiro ressalta o trabalho cuidadoso de reconstrução narrativa para a tela grande.
“Foi um trabalho de edição muito cuidadoso. Desde janeiro estivemos dedicados a compreender como transformar uma obra seriada em uma experiência cinematográfica única, preservando a identidade visual e a força da produção original. Ver esse esforço reconhecido pelo júri oficial do Bonito Cinesur é muito significativo”, afirma.
Representatividade que rompe fronteiras
Para Thiago Rotta, diretor geral da obra em série, o reconhecimento no Bonito Cinesur reforça a importância de um audiovisual diverso, representativo e capaz de atravessar fronteiras simbólicas.
“A importância desse prêmio é mostrar que o audiovisual é diverso, precisa ter representatividade, diversidade e romper fronteiras. Estamos em um estado fronteiriço e muitas vezes pensamos nas fronteiras apenas como espaço físico, como mapa. Mas existem também as fronteiras dos corpos, as fronteiras que marginalizam pessoas. Natasha, de certa forma, trata sobre isso: sobre incluir pessoas, sobre não ter fronteiras. É importante ter corpos marginalizados sendo representados e ocupando o protagonismo”, destaca.

O Bonito Cinesur chega à sua quarta edição consolidado como uma das principais vitrines do cinema sul-americano no Brasil. Neste ano, o festival reuniu produções de dez países da América do Sul e ampliou o espaço dedicado ao cinema regional, fortalecendo a circulação de obras produzidas em Mato Grosso do Sul.
Trailer
O trailer oficial de Natasha está disponível no YouTube.



