O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), por meio da 3ª Promotoria de Justiça de Amambai, realizou, nesta terça-feira (20), mais uma importante etapa do projeto “Racismo Não é Jogo”, iniciativa voltada à prevenção e ao enfrentamento da discriminação racial nas atividades esportivas do município.
A ação foi marcada pela entrega de uma placa em homenagem a Gésica Aquino Martins, cuja história inspirou a criação do projeto, pela entrega formal de cartilhas educativas à Secretaria Municipal de Esportes e pela disponibilização de uma ferramenta digital destinada ao acompanhamento e à mensuração dos resultados da iniciativa.
O Promotor de Justiça Thiago Barbosa da Silva esclareceu que “O projeto nasceu de uma história concreta de discriminação racial e hoje se transforma em uma política pública de prevenção, educação e monitoramento. Nossa intenção é que cada competição esportiva em Amambai seja também uma oportunidade de conscientização. Queremos não apenas combater o racismo quando ele acontece, mas construir uma cultura em que essas práticas não encontrem espaço.”
Uma história que se transformou em política pública
Um dos momentos mais significativos da ação foi a homenagem prestada a Gésica Aquino Martins, cuja experiência, levada ao conhecimento do Ministério Público, motivou a idealização de medidas destinadas à prevenção e ao enfrentamento do racismo no ambiente esportivo.
A placa entregue à homenageada simboliza o reconhecimento à sua coragem e à importância de sua história para a construção de uma iniciativa que busca transformar experiências de discriminação em ações concretas de promoção da igualdade racial.
Com a mensagem “Sua história segue inspirando novos caminhos de respeito”, a homenagem representa também o compromisso institucional de que situações de discriminação não sejam tratadas como episódios isolados, mas sirvam de impulso à construção de mecanismos permanentes de proteção e prevenção.
Educação e conscientização dentro e fora das quadras
Durante a ação, o MPMS também realizou a entrega formal das cartilhas do “Guia Antirracista para o Esporte Municipal” à Secretaria Municipal de Esportes.
O material, elaborado no âmbito do projeto, será destinado a dirigentes esportivos, treinadores, responsáveis por equipes e demais participantes das competições promovidas ou apoiadas pelo Município de Amambai.
Com linguagem simples e didática, a cartilha apresenta conceitos sobre racismo e discriminação racial, exemplos de condutas discriminatórias, orientações para prevenção e procedimentos que devem ser adotados diante de manifestações racistas durante os eventos esportivos.
O guia também explica o funcionamento do Protocolo Municipal Antirracista, que estabelece medidas de intervenção em caso de discriminação, incluindo interrupção, suspensão e, quando necessário, encerramento de partidas, além do acolhimento das vítimas, registro das ocorrências e comunicação às autoridades competentes.
A iniciativa reforça que o combate ao racismo não deve se limitar à responsabilização posterior dos envolvidos, exigindo também ações educativas e preventivas capazes de promover uma cultura de respeito entre atletas, dirigentes, árbitros e torcedores.
Tecnologia para medir o alcance e os resultados do projeto
Outra importante novidade foi a disponibilização de um formulário eletrônico, acessível por link ou QR Code, que deverá ser preenchido pelos responsáveis pela organização dos eventos esportivos realizados no município.
A ferramenta permitirá a coleta padronizada de informações sobre as competições, incluindo o número de eventos realizados, equipes participantes, atletas envolvidos e público espectador alcançado pelas ações educativas.
Também será possível acompanhar a implementação das medidas previstas no projeto, como a apresentação institucional da campanha, a utilização de materiais gráficos, a reprodução de mensagens sonoras de conscientização e a orientação de atletas e dirigentes.
Os dados coletados alimentarão um painel de Business Intelligence (BI), destinado à consolidação e à visualização dos indicadores do projeto.
A proposta é permitir o acompanhamento contínuo da execução da política pública, mensurando seu alcance social e fornecendo informações para avaliar resultados, identificar oportunidades de aperfeiçoamento e orientar novas ações.
Com isso, o projeto passa a incorporar ferramentas de gestão baseadas em dados, possibilitando demonstrar, de maneira objetiva, quantas pessoas foram alcançadas pelas ações de conscientização e em que medida os organizadores das competições estão implementando as práticas antirracistas.
Atuação resolutiva e parceria institucional
O projeto “Racismo Não é Jogo” é resultado de uma atuação extrajudicial do Ministério Público voltada ao fomento de políticas públicas de promoção da igualdade racial.
A iniciativa conta com a parceria da Prefeitura Municipal de Amambai, que acolheu a proposta e adotou medidas normativas para incorporar práticas de prevenção e enfrentamento ao racismo às competições esportivas municipais, incluindo a edição de decreto municipal e a instituição de protocolo específico de atuação.
Além da regulamentação, o projeto contempla campanhas educativas, divulgação de mensagens antirracistas em eventos esportivos, orientação de dirigentes e atletas, distribuição de materiais informativos e monitoramento dos resultados alcançados.
A atuação busca demonstrar que o MPMS pode contribuir para a transformação da realidade social não apenas por meio da responsabilização de condutas ilícitas, mas também pela articulação institucional e pela construção de soluções preventivas e duradouras.
Racismo não é jogo. Respeito é a regra
Com a homenagem, a entrega das cartilhas e a implantação da ferramenta de monitoramento, o projeto avança em sua proposta de consolidar uma cultura antirracista no esporte municipal.

Mais do que combater manifestações discriminatórias, a iniciativa pretende estimular atletas, treinadores, dirigentes e torcedores a assumirem uma postura ativa de respeito à diversidade e de enfrentamento ao racismo. A mensagem central é simples: não basta deixar de praticar o racismo. É preciso não aceitar o racismo.



