No mês da conscientização sobre a importância de ações preventivas do câncer de mama e do colo do útero, o Outubro Rosa, o Movimento Mulheres Municipalistas (MMM) e a Confederação Nacional de Municípios (CNM) alertam sobre a urgência de ampliar o acesso ao rastreamento e a revisão imediata do cofinanciamento para garantir a realização dos exames especializados. No Brasil, segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), de todos os tipos de câncer entre as mulheres, o de mama é o mais frequente, com 30% de todos os diagnósticos no sexo feminino, seguido pelo câncer de colo de útero que ocupa a terceira posição, respondendo por 7,4% dos casos.
O câncer de mama também é o que apresenta a maior taxa de mortalidade entre todos os tipos de cânceres em mulheres, 16,4%, enquanto a do câncer de colo de útero é de 6%. Diante dos números alarmantes, no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS), destaca-se a atuação fundamental da Atenção Primária em Saúde (APS) dos Municípios na prevenção e diagnóstico precoce por meio de consultas, exames clínicos, coleta do exame citopatológico e vacinação contra o vírus HPV (responsável por 70% do cânceres de colo de útero).
Contudo, na atenção especializada, onde se realizam os exames de mamografia, ecografia mamária e análise dos exames citopatológicos, há importantes gargalos e subfinanciamento, que obrigam os Municípios a complementarem os valores da tabela SUS que continuam defasados em R$ 45,00 para o exame de mamografia, R$ 24,20 para ultrassonografia mamária e R$ 14,37 para o exame citopatológico, além de terem de arcar com consultas de especialistas e/ou transporte sanitário para garantir que essas mulheres tenham acesso a tais especialidades.
Embora o Ministério da Saúde tenha incluído o rastreamento destes cânceres no Programa Agora Tem Especialista (PATE), a execução no programa ainda é tímida. O Inca aponta importantes desigualdades regionais no país, como a maior incidência do câncer de colo de útero no Norte e Nordeste. Segundo o instituto, as diferenças refletem acesso desigual à prevenção, rastreamento e tratamento, que refletem desigualdades nos padrões de comportamento dos indivíduos, no acesso ao diagnóstico e ao tratamento.
Além do apoio aos Municípios para que possam oferecer atendimento digno à população na prevenção e no combate à doença, o Ministério da Saúde também deve observar as desigualdades regionais na incidência dos cânceres para promover ações adequadas à demanda regional. As Unidades Básicas ainda devem intensificar as ações de vacinação e de promoção de hábitos saudáveis, como a alimentação saudável, a conscientização sobre o tabagismo e sua possível cessação, bem como incentivar a atividade física regular.



