Outubro é tradicionalmente marcado por ações de conscientização relacionadas ao câncer de mama, período que amplia a circulação de informações sobre a doença e chama atenção para os cuidados ao longo da jornada de saúde.
A discussão também envolve o câncer do colo do útero, outro tipo de tumor que afeta a população feminina. Embora tenham características distintas, as duas doenças estão entre os tipos de câncer que demandam atenção em diferentes momentos, desde a identificação de possíveis alterações até a confirmação diagnóstica e o tratamento.
As estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA) apontam 78.610 novos casos de câncer de mama e 19.310 de câncer do colo do útero no Brasil ao longo de 2026, totalizando 97.920 ocorrências previstas para o ano. Em Mato Grosso do Sul, são estimados 930 novos casos de câncer de mama e 340 de câncer do colo do útero, o que corresponde a 1.270 novos casos no estado. Os dados integram as estimativas do INCA para 2026, publicação que reúne o número de casos novos de câncer por 100 mil habitantes.
“Os números mostram a dimensão que o câncer de mama e o câncer do colo do útero ainda representam para a saúde das mulheres. Por isso, é importante que a informação esteja acompanhada de acesso ao cuidado, desde a prevenção e o acompanhamento de rotina até a investigação de qualquer alteração. Identificar sinais e buscar avaliação profissional são atitudes que podem fazer diferença na condução de cada caso”, afirma dr. Gustavo Barison, ginecologista e membro da Organização Nacional de Acreditação (ONA).
Mortalidade por câncer de mama e do colo do útero
Os registros do Ministério da Saúde acrescentam outro indicador à análise. De acordo com o Painel de Monitoramento da Mortalidade CID-10, o câncer de mama provocou 21.848 mortes no Brasil em 2025, sendo 278 no Mato Grosso do Sul. Em 2026, os registros disponíveis somam 13.622 óbitos no país e 174 no estado.
Para o câncer do colo do útero, foram registradas 7.455 mortes no Brasil em 2025, das quais 96 ocorreram no Mato Grosso do Sul. Em 2026, o painel contabiliza 4.567 óbitos no país e 48 no estado.
Atenção aos sinais e sintomas
O câncer de mama e o câncer do colo do útero podem não apresentar sinais ou sintomas nas fases iniciais, o que reforça a importância do rastreamento regular, mesmo quando a mulher se sente bem. Para o câncer de mama, a mamografia é o principal exame de rastreamento. Já para o câncer do colo do útero, a prevenção inclui exames capazes de identificar alterações antes do desenvolvimento da doença, como o teste de DNA-HPV e, conforme as recomendações, o exame citopatológico (Papanicolau).
Embora não sejam suficientes para estabelecer um diagnóstico, sinais como caroço na mama ou na axila, alterações na pele ou no mamilo, sangramento vaginal anormal e dor pélvica persistente merecem avaliação médica. A investigação precoce de possíveis alterações e a continuidade do cuidado são fundamentais para identificar a doença no momento adequado e orientar o tratamento.
“O cuidado com a saúde não deve começar apenas quando aparecem sintomas. O rastreamento é essencial justamente porque essas doenças podem permanecer assintomáticas nas fases iniciais. Por isso, é importante que as mulheres realizem os exames recomendados para sua faixa etária e seu histórico de saúde, garantindo uma jornada de cuidado organizada, desde a prevenção até o diagnóstico e o tratamento”, finaliza o dr. Barison.



