Alerta sobre sintomas e prevenção da hantavirose

Doença transmitida por roedores silvestres pode evoluir rapidamente para quadros graves respiratórios e cardiovasculares

No Brasil, a forma mais comum da doença é a Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus, que inicialmente pode apresentar sintomas semelhantes aos de uma gripe, dificultando o diagnóstico precoce.

De acordo com o infectologista do Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian da UFMS (Humap-UFMS/HU Brasil), Dr. Alexandre Albuquerque Bertucci, os sinais iniciais costumam surgir entre cinco e cinquenta dias após a exposição ao vírus.

“As síndromes cardiopulmonares por hantavírus apresentam sintomas iniciais muito inespecíficos, que podem ser confundidos com quadros gripais. A doença geralmente começa com febre, dor muscular, dor de cabeça, calafrios, dor abdominal e vômitos, evoluindo posteriormente para tosse, falta de ar, taquicardia e hipotensão”, explica.

Segundo o médico, à medida que a doença progride, ocorre aumento da permeabilidade vascular, podendo causar edema pulmonar e choque cardiogênico, o que contribui para a elevada taxa de mortalidade, estimada entre 20% e 45%.

“Infelizmente, até hoje não existe tratamento antiviral específico aprovado para o hantavírus. Por isso, a suspeita clínica precoce e o suporte médico adequado são fundamentais para reduzir os riscos de agravamento”, destaca o infectologista.

O especialista orienta que a população procure atendimento médico sempre que houver febre persistente por mais de 48 horas associada a sintomas como dores no corpo, vômitos, diarreia, dor abdominal ou dificuldade respiratória, especialmente após contato com áreas infestadas por roedores ou viagens para regiões endêmicas.

Entre os principais fatores de risco estão atividades rurais, limpeza de depósitos, celeiros, estábulos, galpões fechados e locais abandonados, além de qualquer situação que favoreça a inalação de poeira contaminada.

Para prevenir a doença, o infectologista reforça a importância de reduzir o contato com roedores e seus dejetos. Entre as recomendações estão vedar frestas e aberturas em casas e depósitos, armazenar corretamente alimentos e rações, eliminar entulhos próximos às residências e controlar fontes de água que possam atrair animais.

Durante a limpeza de ambientes fechados ou com suspeita de infestação, o uso de equipamentos de proteção individual é indispensável.

“É importante utilizar luvas e máscaras, ventilar bem o ambiente e umedecer o local com água sanitária ou desinfetante antes da limpeza. Deve-se evitar varrer ou aspirar, pois isso faz com que partículas contaminadas sejam suspensas no ar e inaladas”, orienta.

O médico também esclarece que, no Brasil, ratos urbanos como ratazanas e camundongos não são os principais transmissores da doença. Os casos estão mais relacionados a roedores silvestres encontrados em áreas rurais e de mata.

Outro ponto que chama atenção é a possibilidade rara de transmissão entre pessoas. Segundo o especialista, apenas a variante Andes do hantavírus, identificada na América do Sul, possui capacidade comprovada de transmissão interpessoal.

Recentemente, a Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou casos registrados a bordo do navio de cruzeiro MV Hondius, durante uma viagem entre a Argentina e Cabo Verde. As investigações apontam possível transmissão entre passageiros. No entanto, os casos confirmados no Brasil não possuem relação com o episódio registrado no cruzeiro.

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