Gleycielli Guató reúne propostas para ampliar educação, formação e oportunidades no interior

Candidata a deputada federal pelo PSOL defende escolas mais conectadas aos territórios, valorização da diversidade e caminhos para que jovens possam estudar e trabalhar onde vivem

Aline Lira – Transformar a escola em um espaço de conhecimento, criação, diversidade e valorização dos territórios é um dos eixos das propostas de Gleycielli Nonato Guató (PSOL), candidata a deputada federal por Mato Grosso do Sul. A plataforma reúne iniciativas voltadas à educação básica, formação profissional, literatura, diversidade cultural e ampliação das oportunidades para estudantes e jovens do interior. 

Entre as propostas está o Programa Escola da Diversidade Brasileira, que prevê o cumprimento efetivo da Lei 11.645, formação de professores, produção de materiais didáticos e expansão dos Institutos Federais no interior. A proposta também defende materiais regionalizados e produzidos com participação indígena, além da valorização de autores e pesquisadores indígenas.

Para Gleycielli, a escola precisa superar abordagens que tratam a diversidade brasileira apenas como um tema pontual. “Eu acredito que a escola brasileira precisa deixar de ensinar a diversidade do Brasil como se ela fosse apenas uma data comemorativa. A Lei 11.645 já existe e determina o ensino da história e da cultura afro-brasileira e indígena. O que precisamos é garantir que ela seja cumprida de verdade, durante todo o ano, de forma transversal e com qualidade”.

Segundo ela, essa mudança também passa pela forma como os povos indígenas são apresentados aos estudantes. “Os povos indígenas não são apenas parte da história do Brasil. Nós somos povos do presente, com línguas, culturas, conhecimentos, territórios, artistas, cientistas, escritores, professores, lideranças e diferentes formas de viver”.

Da leitura à autoria

Dentro desse eixo está também o projeto Escola que Escreve, que propõe ampliar ações de escrita literária e criativa nas escolas públicas. A iniciativa prevê oficinas de poesia, conto, crônica, cordel, histórias em quadrinhos e dramaturgia, além da produção de livros e antologias com textos dos próprios estudantes. Também prevê a presença de escritores, poetas, contadores de histórias e ilustradores nas escolas e a valorização da literatura indígena, afro-brasileira, quilombola, periférica e de comunidades tradicionais.

Conforme a candidata Gleycielli Guató, o objetivo é fazer com que crianças e jovens reconheçam que suas próprias histórias também podem ocupar as páginas de um livro. “Essa proposta nasceu da minha própria vida. Eu sou escritora, educadora, produtora cultural e sou uma mulher indígena Guató. Aprendi, ao longo da minha caminhada, que quando a gente encontra a palavra, a gente encontra também uma forma de existir e de ocupar o mundo”.

A proposta prevê ainda que estudantes possam registrar histórias de familiares, mestres da cultura e moradores antigos, preservando memórias das comunidades. Em Mato Grosso do Sul, a iniciativa pretende valorizar narrativas relacionadas ao Pantanal, povos indígenas, comunidades tradicionais, campo, assentamentos, fronteira, rios, cidades, periferias e cultura popular.

“Uma criança de Mato Grosso do Sul precisa conhecer os povos Guató, Terena, Kadiwéu, Guarani, Kaiowá e outros povos que fazem parte da história e do presente do nosso estado. E isso precisa ser feito com respeito, sem folclorizar, sem estereotipar e sem tratar todos os povos como se fossem iguais”.

Formação e trabalho para a juventude

Outro eixo é o Programa Nacional Primeiro Trabalho do Interior, que prevê bolsas de formação, cursos técnicos e profissionalizantes, incentivo a empresas que contratem e formem jovens e estímulo ao empreendedorismo. A proposta também defende a expansão dos Institutos Federais no interior.

A intenção é enfrentar uma realidade apontada por Gleycielli a partir de sua própria experiência em Coxim: a falta de oportunidades que leva muitos jovens a deixar seus municípios. “Eu gostaria de mudar uma realidade muito comum: a do jovem que termina a escola e escuta que, para ter futuro, precisa ir embora. O problema não é o jovem querer conhecer o mundo. O problema é ele não ter a opção de permanecer, se quiser”.

O programa prevê diferentes caminhos de formação, incluindo tecnologia, cultura, audiovisual, turismo, economia criativa, produção rural e empreendedorismo, articulando União, estados, municípios, Institutos Federais, empresas e cooperativas. “Desenvolver o interior também é investir na juventude. Quando a gente oferece oportunidade, a gente não está apenas segurando um jovem na cidade. Está fortalecendo a família, a economia local e o futuro daquele município”.

Cinema também entra na escola

O BIOCINEMA, proposta de programa nacional de cinema dos biomas, acrescenta outro eixo educacional: levar formação audiovisual para escolas públicas dos territórios. A iniciativa prevê atividades de roteiro, fotografia, gravação, entrevista, edição e produção, permitindo que estudantes criem filmes sobre suas famílias, comunidades, rios e manifestações culturais.

A proposta reúne, assim, diferentes formas de aprendizado: ler, escrever, produzir imagens, conhecer o próprio território e compreender a diversidade brasileira. De acordo com Gleycielli, a educação precisa estar conectada à vida de quem está dentro da escola.

“Eu quero levar essa visão para a política federal. Uma política que escute os municípios, que dialogue com as comunidades e que compreenda que o desenvolvimento não pode ficar concentrado”, conclui.

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