
O ex-deputado estadual Roberto Razuk morreu na manhã desta quinta-feira (15/10), aos 85 anos, no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo. Ele estava internado na UTI (Unidade de Terapia Intensiva), em coma induzido, para tratar uma grave infecção pulmonar.
Com trajetória marcada pela política e pelo futebol em Mato Grosso do Sul, Razuk exerceu dois mandatos na Assembleia Legislativa, entre 1987 e 1995, e presidiu o Ubiratan Esporte Clube, de Dourados. Ele era casado com a ex-prefeita de Dourados Délia Razuk e pai do ex-deputado estadual Neno Razuk.
Roberto Razuk cumpria prisão domiciliar, com monitoramento por tornozeleira eletrônica, após ser preso em novembro de 2025, durante uma das fases da operação Successione, conduzida pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado).
Segundo as investigações do MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul), o ex-deputado era suspeito de envolvimento em uma organização criminosa armada investigada por crimes como corrupção, violação de sigilo profissional e exploração do jogo do bicho em Campo Grande e no interior do estado.
A Justiça concedeu prisão domiciliar após pedido da defesa. Os advogados João Arnar e Leonardo A. Ribeiro alegaram a idade avançada, a existência de comorbidades e o estado de saúde debilitado do ex-parlamentar. Razuk havia passado recentemente por uma cirurgia oncológica para retirada de um tumor e necessitava de oxigenoterapia contínua.
ondenação por crimes financeiros nos anos 1990
A trajetória do ex-deputado também foi marcada por um processo criminal na década de 1990. Naquele período, ele foi preso e cumpriu pena na Penitenciária de Segurança Máxima Harry Amorim Costa – atual PED (Penitenciária Estadual de Dourados), por crimes contra o Sistema Financeiro Nacional.
Conforme denúncia do MPF (Ministério Público Federal), Razuk teria obtido fraudulentamente, em 1995, um empréstimo de R$ 3,5 milhões junto ao Banco do Brasil. Para viabilizar a operação, teriam sido apresentados documentos públicos falsificados referentes à Fazenda Nabileque, localizada em Ladário, em Mato Grosso do Sul.
A propriedade constava em nome da empresa Cipams Ltda., mas, segundo a denúncia, pertencia a um funcionário do próprio ex-deputado.



