Cuidado fortalece vínculo entre pais e filhos no Humap-UFMS

Histórias mostram como o afeto aproxima famílias em diferentes fases da vida

Motorista de caminhão, Valdir interrompeu a rotina de trabalho para ficar ao lado do filho.

Campo Grande (MS)–  “Me sinto mais seguro com ele aqui”, diz Mateus Raspini, de 12 anos, que resume a importância da presença do pai durante sua internação no Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian, da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (Humap-UFMS), vinculado à HU Brasil. Enquanto ele se recupera de uma cirurgia urológica, o adolescente tem ao seu lado o pai, Valdir Raspini, que o acompanha durante a internação no hospital.

Motorista de caminhão, Valdir interrompeu a rotina de trabalho para ficar ao lado do filho. Para ele, a decisão foi prioritária diante do momento vivido pela família. “Porque sou pai. A gente sempre fica preocupado e quer estar presente. É nosso dever cuidar dos filhos. A mãe dele também estava muito ansiosa, mas, graças a Deus, deu tudo certo. A cirurgia foi realizada e a recuperação está sendo muito boa. A expectativa é que ele receba alta amanhã”, conta.

Segundo ele, a participação do pai deve fazer parte da rotina da família, especialmente nos momentos em que os filhos mais precisam de apoio. “Acho que o pai pode e deve acompanhar. Não é uma responsabilidade só da mãe. Sempre que meu filho precisa, eu procuro estar junto. Estar presente faz diferença”, afirma

Valdir aproveitou também para deixar uma mensagem: “Quero dizer para todos os pais que acompanhem seus filhos, estejam presentes na educação, nos momentos difíceis e nas conquistas. A presença do pai é muito importante, principalmente para os filhos homens, que têm o pai como referência. Aproveito também para desejar um feliz Dia dos Pais a todos”.

 “Amor de um pai para os filhos, ou dos filhos para os pais”

Outra história evidencia que o cuidado também pode percorrer o caminho inverso. Internado no Humap, Raimundo Fernandes da Silva, de 61 anos, encontra tranquilidade ao saber que está no mesmo hospital onde o filho, Anderson Fernandes da Silva, atua como enfermeiro.

Raimundo diz que a presença e a preocupação do filho fazem diferença durante a internação. “Eu me sinto mais acolhido, eu me sinto mais confortável espiritualmente. Ele não está diretamente ligado aos meus cuidados aqui diariamente, mas eu sinto a presença, sinto a preocupação, sempre em contato com o médico para ver como que eu estou. E isso é um extra, aquela criança hoje cuidando de mim”, diz, emocionado.

Para ele, o Dia dos Pais também é um convite para refletir sobre a importância das relações familiares e da valorização da convivência. “Hoje as relações estão muito fragilizadas, mas essa essência da aproximação não tem remédio que cura isso. Do afeto, do amor de um pai para os filhos, ou dos filhos para os pais, eu acho que é insubstituível. Esquece orgulho, o amor tem que prevalecer”.

A presença que transforma: a paternidade como exercício de cuidado

A experiência da paternidade também transformou o olhar do psicólogo hospitalar do Humap-UFMS, André Luiz de Senna Silva. Pai de Joaquim Huzek de Senna, de 13 anos, e responsável pela guarda integral do filho, ele vivencia uma paternidade construída pela presença, pelo diálogo e pelo cuidado diário.

Desde o nascimento do filho, André buscou fortalecer o vínculo por meio do contato afetivo. “Desde o nascimento do Joaquim, sempre estive muito presente. Na época em que ele nasceu, eu concluía minha especialização em acupuntura e aplicava técnicas de Shantala, relaxamento e sonoridade, o que criou uma ligação corporal e afetuosa muito forte”, relata.

A trajetória também foi marcada por desafios. Durante um período, Joaquim morou em Rondônia com a mãe, enquanto André trabalhava no Rio Grande do Sul. Com a retomada dos cuidados integrais do filho, o psicólogo conta que viveu um processo de reconexão.

“Quando assumi de forma integral os cuidados e a educação dele, foi como reconectar com a primeira infância. Hoje ele tem 13 anos e nossa convivência é muito natural. Entendo que ser pai é caminhar junto e dar espaço para que o filho construa a própria estrada”, afirma.

Para André, a paternidade exige presença verdadeira, especialmente em uma época marcada pelo uso intenso da tecnologia. Segundo ele, o tempo dedicado aos filhos precisa ser de qualidade e de escuta.

“Vivemos em uma era tecnológica em que o tempo passa rápido e é consumido pelas telas. A ausência física e emocional do pai não pode ser substituída por dispositivos virtuais. Quando estiverem com seus filhos, doem-se por inteiro, escutem o que eles pensam e desejam”, destaca.

O psicólogo também reforça que os filhos precisam ser compreendidos em sua individualidade. “Não projetem neles as suas próprias crianças feridas, frustrações, expectativas profissionais ou escolhas pessoais. Filhos são seres singulares que nos foram emprestados; nossa missão é nutri-los de amor e dar condições para que sejam pessoas boas no mundo”, completa.

A vivência como pai também influencia diretamente sua atuação profissional no hospital. Segundo André, a paternidade ampliou sua capacidade de compreender cada pessoa em sua singularidade e fortaleceu seu olhar humanizado para o cuidado.

“Exercer a paternidade de forma integral lapidou a minha capacidade empática no ambiente hospitalar. Como pai, preocupo-me com o universo do meu filho e sua singularidade. Levei esse olhar para o paciente: enxergá-lo em sua subjetividade e complexidade”, explica.

No ambiente hospitalar, o psicólogo destaca que o cuidado envolve uma tríade formada pelo paciente, pela família e pela equipe multiprofissional. “O cuidado amplo envolve essa tríade indissociável: o paciente, a família e a equipe multiprofissional, formada por médicos, enfermeiros, fisioterapeutas e tantos outros profissionais. O desenvolvimento desse olhar humano e integral na Psicologia vem diretamente da minha vivência prática como pai”, afirma.

Estudo

As experiências das famílias dialogam com um estudo desenvolvido no Humap por pesquisadores da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS). Intitulada “E quando os homens cuidam? Narrativas de profissionais de saúde sobre a participação masculina na internação pediátrica”, a pesquisa analisou, a partir da percepção de profissionais de saúde que atuam na Unidade de Terapia Intensiva Infantil e na Enfermaria Pediátrica, os fatores que favorecem ou dificultam a participação dos pais como acompanhantes durante a internação pediátrica

Nesse contexto, foram realizadas entrevistas abertas com 11 profissionais de saúde de diferentes categorias, entre médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem, psicólogos, assistentes sociais, fisioterapeutas, fonoaudiólogos e terapeutas ocupacionais. O objetivo foi compreender, a partir das experiências desses trabalhadores, como eles percebiam a participação dos homens no acompanhamento dos filhos durante a internação, bem como os desafios relacionados ao cuidado desse público

Os resultados mostraram que a presença dos pais no cuidado dos filhos tem se tornado mais frequente. Contudo, ainda persistem desafios relacionados aos papéis tradicionalmente atribuídos a homens e mulheres, às exigências do trabalho e a barreiras culturais que podem limitar essa participação. O estudo também aborda a necessidade de iniciativas que favoreçam a inclusão dos pais no ambiente hospitalar, respeitando suas diferentes realidades e ampliando sua participação no cuidado durante a internação. O resumo expandido pode ser acessado aqui.

Compartilhe:

Sobre Nós

Somos seu portal de notícias confiável e atualizado, trazendo as principais informações locais, nacionais e internacionais. Nossa equipe dedicada trabalha 24 horas por dia para oferecer jornalismo de qualidade, com credibilidade e imparcialidade.

© 2024 Todos Os Direitos Reservados – Gazeta Morena