
Durante décadas, muitos brasileiros aprenderam a conviver com o medo como se ele fosse parte natural da vida. O medo de sair de casa, de caminhar pelas ruas, de esperar um filho voltar da escola, de parar em um semáforo à noite, de esperar num ponto de ônibus ou simplesmente de trabalhar honestamente e ver o fruto do próprio esforço ser levado pela criminalidade e pela corrupção. O mais grave é que boa parte da população parece já ter se acostumado com isso, como se a insegurança, a violência e a impunidade fossem problemas impossíveis de resolver.
Como pode um país permitir, por tantos anos, que facções criminosas dominem comunidades inteiras, impondo suas próprias leis, expulsando famílias, controlando serviços, aterrorizando moradores e enfrentando o próprio Estado? Como aceitar que cidadãos de bem sejam obrigados a viver sob o jugo do crime organizado, enquanto criminosos fortemente armados circulam livremente, exibindo poder e afrontando as autoridades sem serem incomodados?
Infelizmente, esse problema deixou há muito tempo de ser apenas do Rio de Janeiro. A criminalidade organizada se espalhou pelo Brasil, infiltrando-se em diversas regiões, principalmente em áreas estratégicas como a Amazônia e o Nordeste, disputando rotas do tráfico, explorando garimpos ilegais, promovendo desmatamento criminoso e impondo medo à população. Em algumas localidades dessas regiões, cidades inteiras chegaram a ser praticamente esvaziadas por ordem das facções criminosas, obrigando famílias a abandonarem suas casas, histórias e bens construídos ao longo de uma vida inteira. E, se não fosse tão trágico, seria até cômico o papel do Estado nessas situações: muitas vezes, a polícia entra nessas áreas apenas para oferecer um mínimo de segurança às famílias expulsas, permitindo que retirem às pressas parte de seus pertences antes de deixarem para trás o lugar onde viviam.
Ao mesmo tempo, o país enfrenta outro câncer silencioso e devastador: a corrupção estrutural. Recursos bilionários que deveriam ser destinados à saúde, educação, segurança e infraestrutura desaparecem em esquemas de corrupção, fraudes e privilégios. A sensação de impunidade alimenta ainda mais o descrédito da população nas instituições públicas (Legislativo, Executivo e Judiciário) e privadas e enfraquece a esperança de um futuro melhor.
Diante desse cenário, muitos brasileiros passaram a olhar com atenção para o que ocorre em El Salvador sob a liderança do presidente Nayib Bukele. Um país que antes figurava entre os mais violentos do mundo conseguiu reduzir drasticamente os índices de criminalidade, recuperar espaços dominados por facções e devolver à população algo extremamente valioso: a sensação de segurança.
Bukele tomou medidas duras e polêmicas. Enfrentou organizações criminosas com firmeza, ampliou o combate às gangues, fortaleceu as forças de segurança e endureceu o sistema penal. Para muitos salvadorenhos, os resultados foram visíveis nas ruas: famílias voltaram a frequentar praças, comerciantes passaram a trabalhar sem extorsões e crianças puderam brincar novamente em locais antes dominados pelo medo. Tudo isso, sem contar com as grandes transformações do país, principalmente na saúde, educação e infraestrutura, já que ele também estancou a roubalheira do dinheiro público.
Naturalmente, cada país possui sua própria realidade política, jurídica e social. O Brasil é uma nação continental, com desafios muito mais complexos. Porém, o exemplo salvadorenho desperta uma reflexão importante: quando há vontade política, coragem administrativa e prioridade verdadeira no combate ao crime e à corrupção, mudanças profundas podem acontecer.
O que grande parte da população brasileira deseja não é autoritarismo, mas sim ordem, justiça e proteção para os cidadãos honestos. O povo quer viver em um país onde o trabalhador possa sair cedo para trabalhar sem medo de não voltar para casa; onde mães não precisem enterrar filhos vítimas da violência; onde crianças possam crescer acreditando que vale a pena estudar, trabalhar e construir uma vida digna; onde o poder público trabalha para o bem estar da população.
O Brasil possui riquezas extraordinárias, um povo trabalhador, terras férteis, capacidade produtiva invejável e um potencial gigantesco de crescimento econômico e social. O que falta é gestão eficiente, compromisso moral e coragem para enfrentar interesses criminosos e estruturas corrompidas que há décadas sangram a nação.
Mais do que admirar líderes estrangeiros, precisamos aprender lições que possam inspirar mudanças internas. Nenhuma sociedade prospera verdadeiramente quando o crime domina territórios, a corrupção destrói a confiança pública e a impunidade desestimula o cidadão honesto.
O Brasil precisa urgentemente reencontrar o caminho da responsabilidade, da moralidade, da segurança e do desenvolvimento. Precisa voltar a valorizar princípios, fortalecer a família, investir seriamente em educação, gerar oportunidades reais de crescimento e fazer com que a lei seja respeitada igualmente por todos.
Ainda há esperança. E ela começa quando uma sociedade deixa de aceitar o caos como algo normal e passa a exigir transformação verdadeira. O brasileiro merece voltar a viver com dignidade, segurança, liberdade e paz. As eleições deste ano vão permitir dar um grande passo rumo a esses objetivos, com as bênçãos de Deus.
*Jornalista, Professor e Escritor



