Por: Marcelo Benedito Mansur Bumla

Fumar faz mal. Essa afirmação, que já assumiu, mundialmente, o status de senso comum, traz em si uma verdade inquestionável e, não raras vezes, fatal. As estatísticas divulgadas pelo Instituto Nacional do Câncer (Inca) apontam que, somente em 2026, o país deve registrar cerca de 35 mil novos casos de câncer de pulmão, sendo 18,7 mil em homens e 16,6 mil, mulheres. Mas os dados negativos não param por aí.
O número de mortes provocadas anualmente no Brasil por esta doença ultrapassa 31 mil. E quem é o maior algoz dessa história? O tabagismo, responsável pela ocorrência de mais de 85% dos casos.
É muito provável que esses números sejam ainda maiores, já que o Brasil enfrenta uma expressiva subnotificação dos casos. Além disso, é importante lembrar que o tabagismo está associado ao aumento da incidência de pelo menos 18 tipos de câncer, não se limitando ao câncer de pulmão. Entre eles estão os cânceres de cavidade oral (boca), esôfago, laringe, faringe, estômago, pâncreas, cólon e reto, fígado, rim, bexiga, colo do útero, ovário e a leucemia mieloide. Dados recentes apresentados no Congresso Americano de Oncologia Clínica mostram que a supressão do tabagismo é, de forma isolada, a principal maneira de reduzir o câncer de uma maneira em geral.
Penso que aqui não nos cabe discorrer sobre o que leva uma pessoa a fumar, mas sim, fazer um alerta: por mais difícil que seja abandonar o vício, vale a pena buscar ajuda e tentar, com perseverança. O tabagismo é um caminho que conduz ao sofrimento e à morte. Cigarro, narguile, vape, nada disso faz bem à saúde. Não existe fumaça inocente.
O câncer de pulmão é o mais prevalente no mundo, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS). Ele não é causado apenas pelo cigarro, sabemos disso. A poluição ambiental, exposição a materiais tóxicos, hereditariedade e sedentarismo também são relevantes fatores de risco. Mas nada supera, até o momento, a toxicidade proveniente dos componentes do cigarro, como a nicotina, o alcatrão e o monóxido de carbono.
Neste mês, com a campanha denominada Agosto Branco, o setor de saúde se dedica a divulgar, com mais ênfase, informações sobre o câncer de pulmão. A iniciativa, inclusive, foi reconhecida oficialmente por meio da Lei Federal 15.207, sancionada em 2025. É certo que devemos, como parte de nossa missão, nos empenhar em trabalhar a educação em saúde ininterruptamente, mas concordo ser importante haver períodos direcionados a temas específicos, a exemplo dos já consolidados Outubro Rosa e Novembro Azul.
E é por isso que não nos cansaremos de falar – e repetir: o câncer de pulmão é o tipo de câncer que mais causa mortes no mundo. A doença é quase totalmente consequência do tabagismo e, justamente por isso, pode ser, na maior parte dos casos, evitada. Portanto, a melhor estratégia, sem dúvida, é não aderir ao tabagismo – lembrando que nunca é tarde para largar o vício.
O cigarro sempre cobra um preço. Fumar não compensa.
Marcelo Benedito Mansur Bumlai é oncologista clínico (CRM-MT 2663), diretor da Oncomed-MT e do Instituto de Tumores e Cuidados Paliativos de Cuiabá (ITC), além de professor da Faculdade de Medicina da Universidade de Cuiabá (Unic)



