Envelhecer não precisa significar perder a mobilidade. Embora o avanço da idade provoque mudanças naturais na coluna e nos ossos, é possível reduzir significativamente o risco de dores, fraturas e perda da independência com medidas preventivas adotadas ao longo da vida. Atualmente, o Brasil possui cerca de 32 milhões de pessoas com 60 anos ou mais, marca que ultrapassa o total de crianças e jovens no território nacional.
A osteoporose, doença caracterizada pela redução da massa óssea e aumento da fragilidade dos ossos, afeta cerca de 10 milhões de pessoas no Brasil e está entre as principais causas de fraturas e mortalidade na população idosa. Nesse cenário, a prevenção torna-se uma importante aliada para garantir qualidade de vida e envelhecimento saudável. Segundo o ortopedista Thales Gonçalves, do Mário Palmério Hospital Universitário (MPHU), as mudanças que afetam a coluna não começam apenas na terceira idade.
O processo natural de desgaste, degeneração e desidratação dos discos intervertebrais tem início por volta dos 20 anos de idade e evolui gradualmente ao longo da vida. “É importante entender que a coluna começa a envelhecer muito antes do aparecimento dos sintomas. A partir dos 20 anos, inicia-se um processo natural de desgaste, degeneração e desidratação dos discos intervertebrais. Com o passar dos anos, essas alterações podem se intensificar e se somar à diminuição da massa muscular e da densidade óssea, favorecendo doenças como a osteoporose, a artrose e outras alterações degenerativas da coluna, além de aumentar o risco de fraturas, principalmente após quedas”, explica.
O especialista destaca que, apesar dessas alterações fazerem parte do envelhecimento, elas podem ser retardadas por meio de hábitos saudáveis. “O exercício físico é um dos principais fatores de proteção da saúde da coluna e dos ossos. Atividades que fortalecem a musculatura, melhoram o equilíbrio e estimulam a formação óssea ajudam a preservar a mobilidade, reduzem dores e diminuem o risco de quedas. Nunca é tarde para começar a se movimentar, desde que com orientação adequada”, afirma.
Além da prática regular de atividades físicas, o ortopedista orienta manter alimentação rica em cálcio e vitamina D, exposição solar de forma segura, controle do peso, abandono do tabagismo e acompanhamento médico periódico, especialmente após os 50 anos. Outro ponto de atenção são as quedas, responsáveis pela maioria das fraturas em idosos com osteoporose.
“Muitas pessoas associam a fratura apenas ao enfraquecimento dos ossos, mas ela geralmente acontece após uma queda. Por isso, trabalhar equilíbrio, força muscular e adaptar o ambiente doméstico são medidas tão importantes quanto tratar a osteoporose. Pequenas mudanças dentro de casa, como retirar tapetes soltos, melhorar a iluminação e instalar barras de apoio, podem evitar acidentes graves”, ressalta Thales Gonçalves.
O médico reforça que o envelhecimento saudável depende da prevenção e da manutenção da autonomia. “Nosso objetivo é que as pessoas envelheçam permanecendo ativas, independentes e com qualidade de vida. A prevenção começa muito antes do aparecimento das dores ou das fraturas. Quanto mais cedo a pessoa adota hábitos saudáveis, maiores são as chances de preservar a saúde da coluna e dos ossos. Cuidar da saúde da coluna, manter o corpo em movimento e fazer acompanhamento médico regular são investimentos para toda a vida”, conclui.




