
Durante participação no podcast Café com Pierry, a vice-prefeita de Dourados, Gianni
Nogueira, criticou à repactuação do contrato de concessão da BR-163 em Mato Grosso do
Sul. Segundo ela, o novo acordo é “vergonhoso” e não atende às expectativas da população,
que há anos cobra a duplicação total da rodovia.
A vice-prefeita de Dourados afirmou que a rodovia já é conhecida como “BR da morte” em
razão do alto número de acidentes fatais registrados ao longo dos anos. Ela citou, inclusive,
manifestações recentes na rodovia e trechos com buracos, especialmente entre Dourados e
Caarapó, além da região próxima às sitiocas.
“Quantas pessoas morreram nessa nossa BR? E agora nós tivemos uma repactuação
vergonhosa, dando possibilidade de aumentar pedágio”, declarou.
MANIFESTAÇÃO E INSATISFAÇÃO POPULAR – Gianni relatou ter recebido vídeos de uma “mega manifestação” com bloqueios na rodovia, organizada por usuários insatisfeitos com a cobrança de pedágio e a falta de melhorias estrutuais.
Segundo ela, após anos de arrecadação, a população não viu a transformação prometida no
momento da concessão. “Quanto tempo pagando pedágio e o que mudou a vida das
pessoas?”, questionou.
A vice-prefeita comparou ainda as condições da BR-163 em Mato Grosso do Sul com trechos
da mesma rodovia em outros estados, afirmando que a diferença estrutural é perceptível.
“Quando você sai do Mato Grosso do Sul, você sabe que saiu. A BR é outra coisa, é
duplicada”, disse.
REPACTUAÇÃO – Gianni Nogueira classificou a renegociação do contrato como uma medida que favorece a concessionária e não garante a duplicação integral da rodovia no Estado. Ela afirmou ter ido
pessoalmente a Brasília para tratar do assunto na Agência Nacional de Transportes
Terrestres, mesmo não ocupando cargo federal.
“Eu fui na ANTT discutir sobre isso. E olha só que eu sou só uma vice-prefeita, não sou nem
senadora”, pontuou.
De acordo com ela, o novo modelo prevê intervenções pontuais, com trechos de dois ou três
quilômetros de duplicação, além de um segmento maior entre Dourados e Campo Grande.
Ainda assim, segundo a vice-prefeita, o projeto está longe de contemplar a duplicação total da
rodovia.
CONCESSÃO – A concessão da BR-163 em Mato Grosso do Sul previa investimentos milionários e a
duplicação progressiva da rodovia, considerada estratégica para o escoamento da produção
agrícola do Estado. Contudo, atrasos nas obras, dificuldades financeiras da concessionária e
revisões contratuais marcaram os últimos anos.
Para Gianni, os valores já arrecadados com pedágio seriam suficientes para um avanço mais
consistente nas obras. “Não é porque temos menos população do que São Paulo que temos
que ser tratados de qualquer jeito”, afirmou.
COBRANÇA POR DUPLICAÇÃO TOTAL – Ao final da entrevista, a vice-prefeita reforçou que a população sul-mato-grossense deseja a duplicação integral da BR-163.
“Nós queremos a duplicação da BR-163. Não é só uns trechinhos, não. Tinha que estar toda
duplicada no Mato Grosso do Sul.”
A discussão sobre a repactuação do contrato deve seguir mobilizando lideranças políticas,
usuários da rodovia e entidades do setor produtivo nas próximas semanas.
Anderson Moraes Moreira




