Biodiversidade, Clima e Geração de Renda no Contexto das RPPNs

Karine Dias – Em comemoração ao Dia Nacional das Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs), o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), por meio do Projeto GEF Áreas Privadas, realizará o evento “Biodiversidade, Clima e Geração de Renda no Contexto das RPPNs”, no dia 30 de janeiro de 2026, em Brasília (DF), com transmissão online em: Dia Nacional das RPPNs | Biodiversidade, Clima e Geração de Renda

A programação do evento reúne painéis institucionais, palestras técnicas e debates qualificados, abordando temas estratégicos para a conservação ambiental no Brasil. Entre os destaques estão as políticas públicas voltadas às Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs), os mecanismos de crédito de carbono e de biodiversidade, as Cotas de Reserva Ambiental (CRA) e as trilhas de longo curso associadas às áreas protegidas.

O evento também valoriza as especificidades e a diversidade dos biomas brasileiros — Cerrado, Amazônia, Mata Atlântica, Caatinga e Pantanal — promovendo uma visão integrada entre conservação, desenvolvimento sustentável e instrumentos econômicos de proteção ambiental.

A secretária Nacional de Biodiversidade, Florestas e Direitos Animais do MMA, Rita Mesquita destaca a importância das RPPNs para a conservação da biodiversidade.

“Celebrar as RPPNs é reconhecer um gesto de altruísmo raro e profundamente inspirador. Quando um proprietário privado decide abrir mão de parte de seu patrimônio pessoal em favor da conservação da natureza, ele faz uma escolha que vai muito além de sua própria família: deixa um legado para as futuras gerações e para toda a sociedade. Esse ato voluntário, baseado no cuidado, na corresponsabilidade e na visão de longo prazo, merece nosso profundo respeito e apoio. As RPPNs simbolizam esperança — a esperança de que mais pessoas se sintam motivadas a aderir a esse modelo especial de unidade de conservação, no qual a proteção da biodiversidade nasce do compromisso individual e se transforma em benefício coletivo.”

A iniciativa conta com apoio do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Criadas voluntariamente por proprietárias(os) privados, as RPPNs integram o Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC) e desempenham papel estratégico na conectividade de paisagens, proteção dos recursos hídricos e conservação da biodiversidade. Segundo o Painel de Indicadores da Confederação Nacional de RPPNs (CNRPPN), o Brasil conta atualmente com mais de 1.900 RPPNs, que protegem cerca de 837 mil hectares de áreas conservadas.

“As RPPNs cumprem um papel dos mais estratégicos na conservação da natureza. Elas são as unidades de conservação que nascem de um gesto voluntário e de muita responsabilidade: proteger áreas, em caráter permanente, um patrimônio natural que é também de interesse público. Mantidas por seus instituidores, elas resguardam a biodiversidade e fortalecem a conectividade ecológica, base concreta para a manutenção de serviços ecossistêmicos essenciais à vida. E seus benefícios vão além do aspecto ambiental. As RPPNs impulsionam a pesquisa científica, a educação ambiental e o turismo sustentável, gerando oportunidades locais e valorizando a região onde se inserem. Por isso, valorizá-las e apoiá-las é mais que uma obrigação. Para nós do ICMBio, temos muito orgulho e nos sentimos honrados com as mais de 530 RPPNs criadas em todas as regiões do país, expressão madura de uma aliança entre iniciativa privada e compromisso coletivo com o futuro.”, afirma Mauro Pires, presidente do ICMBio.

A trajetória das RPPNs no Brasil teve início ainda na década de 1990, com a criação da RPPN Vagafogo, em Goiás, uma experiência pioneira que contribuiu para consolidar o modelo de conservação em áreas privadas no país. Desde então, as RPPNs vêm se afirmando como instrumento complementar e estratégico ao Sistema Nacional de Unidades de Conservação.

“Há quase quatro décadas, a Fundação Pró Natureza atua no fortalecimento da conservação em áreas privadas, especialmente no Cerrado, onde essas áreas cumprem um papel estratégico na proteção da biodiversidade, da água, regulação do clima e na conectividade da paisagem. Por meio do Projeto GEF Áreas Privadas, avançamos na consolidação das Reservas Particulares do Patrimônio Natural como instrumento essencial das políticas públicas de conservação no Brasil”, afirma Pedro Bruzzi, superintendente executivo da Funatura.

Projeto GEF Áreas Privadas fortalece criação e consolidação de RPPNs no Brasil

Além de incentivar a criação de novas RPPNs, o GEF Áreas Privadas desenvolve e apoia ações estratégicas voltadas à conservação da biodiversidade em áreas privadas, incluindo a promoção da conectividade da paisagem, o fortalecimento de políticas públicas, bem como a valorização econômica da conservação por meio de instrumentos como o Pagamento por Serviços Ambientais, as Cotas de Reserva Ambiental (CRA), os créditos de carbono e iniciativas de uso público sustentável.

O Projeto GEF Áreas Privadas – Conservando Biodiversidade em Paisagens Rurais, é coordenado tecnicamente pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), financiado pelo Global Environmental Facility (GEF) e implementado pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA). Sua gestão financeira é realizada pelo Instituto Internacional para Sustentabilidade (IIS).  Na Mata Atlântica, o projeto é coexecutado pela Associação Mico Leão Dourado (AMLD) e no Cerrado pela Fundação Pró Natureza (Funatura). Os principais objetivos são contribuir para a conservação da biodiversidade, fortalecer a provisão de serviços ecossistêmicos e ampliar o manejo sustentável da paisagem, em áreas privadas no Brasil.

A iniciativa integra os esforços nacionais para fortalecer a conservação da biodiversidade em áreas privadas, alinhados às metas ambientais e climáticas do Brasil.

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