10ª Feira Literária de Bonito supera expectativa de Pedro Bial

Evelise Couto – Fotos: Luana Chadid – Pedro Bial chegou à 10ª Feira Literária de Bonito com uma expectativa simples e, ao mesmo tempo, cada vez mais rara: encontrar pessoas dispostas a conversar sobre livros. Convidado do Palco Literário, o jornalista, apresentador e escritor participou de um bate-papo mediado pela também jornalista Cláudia Gaigher e reuniu mais de 200 espectadores na Praça da Liberdade, recorde de público em uma conversa literária na FLIB.

A participação marcou o lançamento de “Isabel do vôlei da vida: A onda mais alta de Ipanema”, livro dedicado à atleta Isabel Salgado. Antes de subir ao palco, durante entrevista à imprensa, Bial falou sobre a alegria de participar de uma feira literária e sobre a relação de cumplicidade que se estabelece quando leitores se encontram. “É um público sempre com quem a gente vai falar com muita alegria”, afirmou.

A expectativa de Bial partia justamente do interesse comum que reúne autores, leitores e curiosos em uma feira literária. Para ele, quem escolhe estar diante de um escritor já chega com alguma disposição para ouvir, perguntar e compartilhar impressões.

“Somos poucos nós, leitores, nós que curtimos esse objeto, essa tecnologia tão espetacular que é o livro”, disse.

Ao chamar o livro de tecnologia, Bial destacou a capacidade que esse objeto mantém de atravessar o tempo, guardar histórias e aproximar pessoas. Mesmo em meio a tantas formas de comunicação, é o livro que continua levando leitores a uma praça, formando plateias e criando encontros como o realizado em Bonito.

Na avaliação do escritor, o público de uma feira literária não chega por acaso. Existe ali uma vontade prévia de participar de uma conversa, ainda que ela comece antes do palco, na escolha de um título, na leitura de uma página ou na curiosidade despertada por uma história.

“Quando alguém se dispõe a vir conversar comigo, a conversar com o livro numa feira literária, eu sei que é um público que já está a fim de uma conversa boa, que já chega com boa vontade”, afirmou.

A escolha das palavras também revela como Bial entende esse tipo de encontro. Não se trata apenas de conversar com o autor. Para ele, o diálogo também acontece com o próprio livro, que ocupa o centro da relação entre quem escreve e quem lê.

É a obra que oferece o assunto, provoca perguntas e cria uma aproximação entre pessoas que talvez nunca tenham se encontrado antes. Por isso, a disposição demonstrada pelo público funciona, segundo ele, como um impulso para quem está no palco. “Isso é um tremendo estímulo e incentivo para conversar”, completou.

Bial também falou sobre a satisfação de encontrar leitores que chegam ao evento já conhecendo a obra. Com bom humor, reconheceu que esse encontro nem sempre acontece com a frequência que um escritor gostaria. “E quando vem alguém que leu o livro, então, aí é uma loucura. Você fica muito feliz”, brincou.

A conversa no Palco Literário foi conduzida por Cláudia Gaigher, jornalista e escritora com longa trajetória profissional e forte ligação com Mato Grosso do Sul. Conhecida especialmente por seu trabalho voltado ao Pantanal e ao jornalismo ambiental, ela mediou o encontro entre Bial e o público da feira.

A participação do escritor movimentou a Praça da Liberdade. Mais de 200 pessoas acompanharam o bate-papo, formando o maior público já registrado em uma conversa literária na FLIB. Ao fim da atividade, uma extensa fila se formou para a sessão de autógrafos.

A cena parecia materializar aquilo que Bial havia dito pouco antes de subir ao palco. Havia ali pessoas dispostas a ouvir, conversar e permanecer por perto, reunidas por essa “tecnologia tão espetacular” que continua atravessando gerações: o livro.

Evento oficial

Em 2026, a FLIB homenageia a escritora Lygia Fagundes Telles e o escritor, editor e agitador cultural douradense Luciano Serafim, que faleceu em 2025 e teve participação marcante na história da feira.

A edição conta com o apoio de instituições públicas e privadas, incluindo recursos viabilizados por emendas parlamentares, além da participação da Caixa, Sesc MS, Sebrae, Sanesul, Prefeitura Municipal de Bonito, Câmara Municipal de Bonito, Ministério da Cultura e Governo do Estado de Mato Grosso do Sul.

A FLIB integra o Calendário Municipal de Eventos de Bonito e, desde a publicação da Lei Estadual nº 6.457, de 11 de agosto de 2025, também faz parte do Calendário Oficial de Eventos de Mato Grosso do Sul.

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