Pressionada pela repercussão negativa de reajustes que chegam a triplicar o valor do IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano) de 2026, a prefeitura de Campo Grande anunciou, nesta segunda-feira (6), um pacote de medidas iniciais que tentam remediar o caos administrativo, mas não atacam o problema central: o aumento abusivo da carga tributária.
Em uma reunião tensa realizada hoje, que contou com a presença de vereadores, representantes da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), Ministério Público e de secretários, ficou decidido que a prefeitura prorrogará o prazo de pagamento do imposto, originalmente previsto para o dia 12, para 30 de janeiro ou 10 de fevereiro (data ainda a ser batida o martelo).
Além disso, para tentar esconder as filas quilométricas que se formaram na Central do Cidadão, o atendimento será descentralizado para os CRAS (Centros de Referência de Assistência Social) nos bairros, com expediente ampliado.
No entanto, a “bondade” da gestão da prefeita Adriane Lopes (PP) parou na logística. A principal demanda do contribuinte, que é o alívio no bolso, foi ignorada. A prefeitura bateu o pé e decidiu manter o desconto para pagamento à vista em míseros 10%, ignorando o histórico de 20% praticado em anos anteriores.
Manobra através de decreto
Embora tenha divulgado um reajuste oficial de apenas 5,32%, conforme a inflação, a prefeitura manobrou tecnicamente a PGV (Planta Genérica de Valores) via decreto. A estratégia permitiu alterar os critérios de cobrança do IPTU sem passar por análise da Câmara Municipal.
O resultado, conforme denúncias de moradores e da advocacia, são boletos com aumentos reais de 30%, 50% e até 180% em relação a 2025, sem que houvesse qualquer melhoria ou alteração nos imóveis que justificasse tal disparada. “O que se verifica são aumentos sem justificativa técnica, de forma abrupta e abusiva”, criticou o advogado Hugo Conforte.
Reunião de “contenção de danos”
A reunião desta segunda-feira serviu mais como uma operação de “abafa” do que como solução técnica. Estiveram presentes presencialmente os vereadores Carlão, Ronilço Guerreiro, Luiza Ribeiro, Leinha, Fabio Rocha, Clodoilson Pires, Rafael Tavares, Lívio Viana, Veterinário Francisco, André Salineiro, Otávio Trad, Neto Santos e Beto Avelar, além de participação online de outros nove parlamentares.
Do lado do Executivo, a Procuradora-Geral do Município, Cecília Saad, o Diretor Executivo da Sefaz, Ricardo Vieira, e o titular da Agereg, Otávio Figueiró, foram os encarregados de defender o reajuste no imposto.




