Medo e ansiedade afastam 36% das pessoas do dentista

Sedação surge como alternativa para reduzir o estresse

Evelise Couto – O som do motor, o cheiro característico do consultório e a lembrança de uma experiência desconfortável são suficientes para que muitas pessoas adiem, por meses ou até anos, uma consulta odontológica. O que, à primeira vista, pode parecer apenas um receio pontual, em alguns casos evolui para um quadro persistente de ansiedade odontológica e, em situações mais intensas, para a odontofobia, um transtorno reconhecido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e classificado no CID-10 (F40.2), dentro do grupo das fobias específicas. Os sintomas vão além do desconforto e incluem taquicardia, sudorese, tremores, vontade de chorar e pensamentos acelerados, reações que muitas vezes fazem com que o paciente evite o consultório mesmo diante de dor ou necessidade de tratamento.

Os números ajudam a dimensionar o impacto desse comportamento. Um levantamento da Oral Health Foundation, no Reino Unido, aponta que 36% das pessoas evitam o dentista por medo. No Brasil, cerca de 15% da população apresenta ansiedade odontológica, segundo o Conselho Federal de Odontologia (CFO), enquanto a odontofobia atinge aproximadamente 2%. Na prática, esse receioainda é uma barreira importante para o cuidado com a saúde bucal e acaba contribuindo para o agravamento de problemas que poderiam ser resolvidos de forma mais simples.

Quando o medo paralisa – O cirurgião-dentista Oscar Peixoto Ennes observa esse comportamento com frequência na rotina clínica e reforça que, mesmo com os avanços da odontologia, o medo ainda é um fator determinante. Segundo ele, muitos pacientes evitam o tratamento por receio da dor, ansiedade ou insegurança em relação aos procedimentos, o que exige, em alguns casos, o apoio de outras especialidades para garantir mais conforto durante o atendimento. “Esse medo está associado a diferentes fatores, como o desconhecimento sobre o que será realizado, o receio do pós-operatório e até mesmo um perfil mais ansioso da sociedade atual, que contribui para o adiamento das consultas”, pontua.

Esse afastamento do consultório pode trazer consequências diretas para a saúde bucal. Doenças como cáries e inflamações gengivais têm origem bacteriana e podem evoluir rapidamente quando não tratadas, tornando os procedimentos mais complexos e, muitas vezes, mais invasivos. A recomendação, segundo o dentista, é buscar atendimento o quanto antes, já que intervenções precoces tendem a ser mais simples, rápidas e com menor impacto para o paciente.

Soluções e alívio – Diante desse cenário, a sedação ambulatorial tem se consolidado como uma alternativa para pacientes que apresentam medo ou ansiedade, permitindo que os procedimentos sejam realizados com mais conforto e segurança. Em Campo Grande, esse tipo de atendimento é viabilizado por serviços especializados como o SAS, da Servan Anestesiologia, que leva a sedação médica para dentro de clínicas e consultórios, com acompanhamento de médico anestesiologista durante todo o procedimento.

Com monitorização contínua e protocolos específicos para intervenções de baixa e média complexidade, o modelo contribui para reduzir riscos e tornar a experiência mais tranquila, especialmente para pacientes que, por medo ou ansiedade, tendem a evitar o atendimento. Na prática, a mudança no comportamento é perceptível desde o início. “Quando é oferecido um atendimento com sedação, o paciente que chega cheio de restrições rapidamente relaxa e se torna mais receptivo”, relata Oscar.

Na avaliação do dentista, a presença do anestesiologista também traz mais segurança para a equipe e melhora o desfecho dos procedimentos. “Eu sou cirurgião-dentista e utilizo o serviço de sedação na clínica. Isso traz muito conforto para o paciente, que se sente mais seguro, e também para nós, pela tranquilidade de contar com um especialista preparado para qualquer intercorrência”, afirma. Segundo ele, os benefícios se estendem ao pós-operatório. “Ao final da cirurgia, o paciente está mais tranquilo, não passou por estresse durante o procedimento e, com isso, tudo transcorre melhor. A satisfação é maior e a recuperação também tende a ser diferente”, completa.

Além de procedimentos mais longos, a sedação pode ser indicada em casos de ansiedade, medo intenso ou dificuldade de permanecer por muito tempo na cadeira odontológica, fatores que, muitas vezes, são determinantes para que o paciente volte a procurar o atendimento e dê continuidade ao tratamento.

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