Março Amarelo alerta para impactos da endometriose

Destaca papel da alimentação no controle da dor

O mês de março é marcado pela campanha Março Amarelo, dedicada à conscientização sobre a endometriose, doença inflamatória crônica que afeta milhões de mulheres em idade reprodutiva. De acordo com o Ministério da Saúde, a condição pode provocar cólicas intensas, dor pélvica persistente, alterações intestinais e até infertilidade, além de impactar significativamente a rotina e o bem-estar das pacientes.

A endometriose ocorre quando células semelhantes ao endométrio passam a crescer fora do útero. Essas células continuam respondendo aos estímulos hormonais do ciclo menstrual, o que gera inflamação local, dor e formação de aderências. A doença é considerada inflamatória porque envolve ativação persistente do sistema imunológico, liberação de citocinas pró-inflamatórias e aumento do estresse oxidativo no organismo.

Além do tratamento médico, que pode incluir terapias hormonais e procedimentos cirúrgicos, a alimentação tem se mostrado uma importante aliada no manejo dos sintomas. Segundo a nutricionista Ana Cristina Martins, coordenadora do curso de Nutrição do UNINASSAU – Centro Universitário Maurício de Nassau Paulista, a dieta influencia diretamente a produção de mediadores inflamatórios, o metabolismo do estrogênio, a composição da microbiota intestinal e os níveis de estresse oxidativo. “Dietas ricas em alimentos naturais e antioxidantes tendem a reduzir marcadores inflamatórios, enquanto padrões alimentares com grande presença de ultraprocessados podem intensificar a inflamação sistêmica”, explica.

Não existe uma dieta única e padronizada para todas as mulheres com a doença. No entanto, o padrão alimentar mais recomendado é inspirado no modelo mediterrâneo, com alta densidade de vegetais e fibras, boa oferta de gorduras mono e poli-insaturadas e redução de ultraprocessados.

“Entre os alimentos que ajudam a combater a inflamação estão peixes ricos em ômega-3, como sardinha, salmão e atum; azeite de oliva extravirgem; vegetais verde-escuros, como couve, espinafre e brócolis; frutas vermelhas; sementes como linhaça e chia; oleaginosas; além de especiarias como cúrcuma e gengibre. Esses itens atuam na modulação de vias inflamatórias e no combate ao estresse oxidativo”, ressalta a nutricionista.

Por outro lado, açúcar refinado, refrigerantes e bebidas adoçadas, frituras, carnes processadas, excesso de gorduras saturadas e alimentos ultraprocessados devem ser evitados ou consumidos com moderação, pois podem favorecer processos inflamatórios e agravar sintomas como dor e distensão abdominal. Não há evidências de que todas as mulheres com endometriose precisem excluir glúten ou lactose da dieta. No entanto, pacientes com sensibilidade ao glúten ou intolerância à lactose podem perceber melhora dos sintomas ao reduzir esses componentes. “A retirada indiscriminada, sem diagnóstico, pode gerar deficiências nutricionais”, alerta Ana.

A suplementação também pode ser considerada, desde que haja deficiência comprovada ou necessidade clínica específica. Entre os nutrientes frequentemente avaliados estão vitamina D, magnésio, ômega-3, zinco e vitaminas do complexo B. A prescrição deve ser individualizada e orientada por profissional habilitado. Mudanças alimentares podem, inclusive, reduzir a intensidade das cólicas menstruais. Estratégias anti-inflamatórias e a adequada ingestão de micronutrientes contribuem para diminuir a produção de prostaglandinas inflamatórias, substâncias relacionadas à dor.

“Para montar um cardápio equilibrado, o ideal é priorizar alimentos in natura, garantir variedade e cores no prato, incluir boas fontes de proteína, manter equilíbrio entre carboidratos, proteínas e gorduras saudáveis e evitar dietas extremamente restritivas. O foco deve ser o equilíbrio, não a exclusão extrema”, reforça a coordenadora.

O acompanhamento profissional é considerado fundamental no manejo nutricional da endometriose. Cada mulher apresenta manifestações distintas, como dor pélvica, alterações intestinais, fadiga ou inchaço, e, por isso, a conduta não deve ser generalizada. O nutricionista avalia histórico clínico, padrão alimentar e possíveis alterações metabólicas, identifica intolerâncias e ajusta o plano alimentar para garantir aporte adequado de nutrientes, prevenindo deficiências e restrições desnecessárias.

“A atuação integrada com ginecologistas e outros profissionais de saúde fortalece uma abordagem multidisciplinar, considerando não apenas os aspectos hormonais e inflamatórios, mas também fatores metabólicos, intestinais e emocionais que influenciam diretamente a qualidade de vida das pacientes”, finaliza Ana Cristina Martins, coordenadora do curso de Nutrição do UNINASSAU Paulista.

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