Hospital Universitário participa de estudo que propõe valores ecocardiográfico

Campo Grande (MS) – O Centro de Pesquisa Clínica (CPC) do Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian, da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (Humap-UFMS), integrante da Rede HU Brasil, está comemorando a publicação do estudo “Valores Ecocardiográficos de Referência para as Câmaras Cardíacas no Brasil: Um Estudo Multirregional e Multirracial”. A pesquisa teve como objetivo estabelecer medidas ecocardiográficas de referência para adultos brasileiros saudáveis e investigar diferenças geográficas e relacionadas ao sexo nas principais regiões do país.

O estudo, com grande relevância nacional, contou com apoio do CPC na execução local, sob a condução do pesquisador Gabriel Doreto Rodrigues, médico cardiologista do hospital. O artigo científico sobre o estudo foi publicado na edição atual do periódico Arquivos Brasileiros de Cardiologia, da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC).

“O trabalho representa um marco para a cardiologia brasileira ao propor parâmetros ecocardiográficos construídos a partir da realidade da população do país, suprindo uma lacuna histórica na literatura científica, até então fortemente baseada em padrões internacionais”, destacou.

O estudo, realizado de forma prospectiva e multicêntrica, reuniu 496 voluntários saudáveis das cinco regiões do Brasil, permitindo a construção de valores de referência mais compatíveis com a diversidade racial, antropométrica e regional da população brasileira. Os resultados reforçam a necessidade de parâmetros próprios para o país e mostram, inclusive, diferenças regionais previamente não reconhecidas nas dimensões das câmaras cardíacas.

A participação do Humap-UFMS teve papel relevante nesse processo, ao garantir a presença da população do Centro-Oeste na amostra nacional. “Essa contribuição fortalece a representatividade do estudo e evidencia a importância da atuação do CPC em pesquisas multicêntricas capazes de gerar conhecimento aplicável à prática clínica em todo o Brasil”, disse o médico.

Sobre a pesquisa

Valores de referência para a quantificação das câmaras cardíacas são essenciais para a tomada de decisão clínica. O Brasil é um país continental com grande diversidade racial e marcadas variações socioeconômicas e antropométricas regionais que podem não estar adequadamente representadas nos padrões ecocardiográficos internacionais.

Este estudo estabelece valores ecocardiográficos de referência em um grupo de brasileiros, confirma as diferenças esperadas relacionadas ao sexo e identifica variações regionais previamente não reconhecidas nas dimensões das câmaras cardíacas. Segundo o estudo, esses achados reforçam a necessidade de padrões específicos para a população, a fim de garantir uma quantificação cardíaca mais precisa.

“Utilizamos até o presente momento medidas das cavidades cardíacas derivadas sobretudo de estudos realizados na população norte-americana e europeia. Imaginávamos medidas menores para a nossa população, dada a menor estatura do brasileiro em relação a esses países. Isso pôde ser corroborado no nosso estudo, com menores dimensões definidas para as câmaras cardíacas esquerdas”, explicou o médico Gabriel Rodrigues.

Segundo ele, também ficaram evidentes as diferenças com relação ao sexo, tendo os homens maiores cavidades cardíacas que as mulheres, resultado que foi em parte atenuado após indexação para superfície corpórea. “Diferenças regionais também puderam ser evidenciadas: no Centro-Oeste tivemos menores dimensões do ventrículo esquerdo, ao passo que no Nordeste verificamos menores dimensões do átrio esquerdo. Não foram observadas diferenças raciais significativas, fato atribuído à importante miscigenação e limitação de propriedade quanto à raça autorreferida”, acrescentou.

Conforme o pesquisador, todas as doenças que afetam o coração podem levar a alterações na sua forma, tamanho e função contrátil. “Ter os nossos próprios parâmetros de normalidade descritos e tabelados permite a pronta identificação das consequências de diversas doenças sobre o coração, o que é de suma importância para o diagnóstico, acompanhamento e tratamento”, concluiu.

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