
Aline Lira – Com 21 obras produzidas por crianças, adolescentes e adultos, mostra do Instituto Projeto Livres ocupa o Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul e integra programação cultural que segue até 20 de novembro, em Campo Grande
Memória, identidade, resistência e ancestralidade ganham forma e cor na exposição Africanidades, realizada pelo Centro Cultural Instituto Projeto Livres, que integra a programação do Mês da Consciência Negra em Campo Grande. Com abertura no dia 6 de novembro, às 14h, no Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS), a mostra reúne 21 obras produzidas por crianças, adolescentes, adultos e pessoas idosas, em um exercício coletivo de criação artística e valorização da cultura africana e afro-brasileira.
Com curadoria do professor Dr. Paulo Paes, da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), e orientação da educadora e artista Rô Nascimento, a Professora Rô, a exposição apresenta trabalhos desenvolvidos ao longo de 2026 a partir de materiais reaproveitados, como molduras que seriam descartadas. Tintas, tecidos, areia, trigo e cola branca também foram incorporados às composições, criando diferentes texturas e possibilidades visuais.
A iniciativa nasceu a partir do projeto Som do Afoxé, desenvolvido pelo Instituto com o propósito de aproximar a comunidade das referências culturais africanas e ampliar o reconhecimento da contribuição dessa matriz para a formação brasileira. A proposta artística percorre temas como a força das mulheres negras, a infância, a identidade, a religiosidade de matriz africana, a memória dos mais velhos e a resistência histórica dos povos africanos.
Para a Professora Rô, a exposição é resultado de um processo que vai além do aprendizado de técnicas artísticas. Ao transformar materiais descartados em obras, os participantes também experimentam novas formas de expressão e reconhecimento de suas próprias capacidades. A educadora destaca que a proposta busca mostrar a riqueza da cultura africana e o papel fundamental das mulheres na preservação dos saberes e na transmissão da ancestralidade.
A iniciativa também evidencia a importância de democratizar o acesso à produção artística e reconhecer talentos que muitas vezes não encontram espaço nos circuitos tradicionais de exposição. No Tribunal de Justiça, as obras passam a ocupar um ambiente institucional, aproximando diferentes públicos de uma produção construída dentro de um projeto cultural comunitário.
Música, formação e memória marcam outras ações de novembro

Além da exposição, o Instituto Projeto Livres realiza uma série de atividades que levam música, formação cultural e debates sobre igualdade racial a diferentes espaços de Campo Grande. A programação reúne apresentações da Banda BatuqueCanta, encontros de musicalização para mulheres e uma roda de conversa com lideranças históricas do movimento negro sul-mato-grossense.
No dia 1º de novembro, a Banda BatuqueCanta já participou da Feira Borogodó. A agenda segue no dia 6, com a apresentação do grupo no evento “Memória, resistência e transformação”, promovido pelo Comitê de Gênero, Raça e Diversidade do TJMS, no Plenário Cível.
No dia 7, a banda será atração da Feira do Coopharádio, com o espetáculo “Africanidade – Os Guardiões do Tambor”. O repertório reúne músicas autorais e um pot-pourri de composições da música negra, conectando ritmo, identidade e ancestralidade.
Formada por alunos e educadores do Instituto, a BatuqueCanta desenvolve um trabalho de percussão sustentável, utilizando baldes, latas, tonéis e outros materiais reaproveitados como instrumentos musicais. A proposta articula educação ambiental, musicalização e valorização da cultura afro-brasileira, envolvendo participantes de diferentes idades.
Segundo a Professora Rô, a música é também uma ferramenta de transformação social. “É possível mudar pensamentos e realidades através da música. Enquanto guardiões da cultura afro-brasileira, transmitimos para crianças, adolescentes e adultos a importância de cultivar essa herança da nossa ancestralidade”, afirma.
A programação continua no dia 11 de novembro na UEMS, com show do BatuqueCanta e exposição, depois no dia 12 de novembro, às 19h, com apresentação da banda na Escola Estadual Professora Zélia Quevedo Chaves. No dia 13, a sede do Instituto recebe mais um encontro do projeto “BatuqueCanta Com Elas”, iniciativa que amplia a participação feminina na formação musical por meio de aulas gratuitas de percussão sustentável, realizadas às sextas-feiras.
No dia 16 de novembro, a BatuqueCanta se apresenta no Instituto Federal de Mato Grosso do Sul (IFMS). Pelo quinto ano consecutivo, o trabalho do grupo integra atividades da instituição voltadas à discussão da cultura afro-brasileira e do racismo, aproximando música e educação.
O encerramento da programação acontece no Dia da Consciência Negra, 20 de novembro, com a “Roda dos Saberes Ancestrais”, na sede do Instituto. Com o tema “Memórias de Raimunda Luzia de Brito – Coletivo de Mulheres Negras de MS”, o encontro terá a participação de Ana José Alves e Cleuza Pedrosa Odorico, duas mulheres com trajetórias dedicadas à defesa dos direitos das mulheres negras e à promoção da igualdade racial.
Cofundadora do Coletivo de Mulheres Negras de MS “Raimunda Luzia de Brito”, Ana José Alves atua na articulação de políticas públicas e na promoção da justiça social. Cleuza Pedrosa Odorico é pedagoga, servidora aposentada da saúde e ativista das pautas de gênero e raça, com atuação sindical e no enfrentamento à violência contra as mulheres. A roda de conversa propõe um espaço de escuta e compartilhamento de experiências, resgatando a memória coletiva e a importância da organização das mulheres negras em Mato Grosso do Sul.
Essas ações integram o projeto Som do Afoxé, desenvolvido durante o ano pelo Centro Cultural Instituto Projeto Livres. A iniciativa foi contemplada pela Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB), com recursos do Governo Federal, executada pela Prefeitura Municipal de Campo Grande, por meio da Fundação Municipal de Cultura (Fundac).
Serviço – Programação do Mês da Consciência Negra | Instituto Projeto Livres
6 de novembro, às 14h – Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul
Abertura da exposição Africanidades, no hall de entrada, e apresentação da Banda BatuqueCanta do evento “Memória, resistência e transformação”, no Plenário Cível.
7 de novembro – Feira do Coopharádio
Show “Africanidade – Os Guardiões do Tambor”, com a Banda BatuqueCanta.
11 de novembro – UEMS
Show “Africanidade – Os Guardiões do Tambor”, com a Banda BatuqueCanta.
12 de novembro, às 19h – Escola Estadual Professora Zélia Quevedo Chaves
Apresentação da Banda BatuqueCanta.
13 de novembro – Sede do Instituto Projeto Livres
Encontro do projeto “BatuqueCanta Com Elas”. Aulas gratuitas de percussão sustentável acontecem às sextas-feiras.
16 de novembro – Instituto Federal de Mato Grosso do Sul (IFMS)
Apresentação da Banda BatuqueCanta.
20 de novembro – Sede do Instituto Projeto Livres
Roda dos Saberes Ancestrais – “Memórias de Raimunda Luzia de Brito – Coletivo de Mulheres Negras de MS”, com Ana José Alves e Cleuza Pedrosa Odorico.
Exposição Africanidades
Local: Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul, hall de entrada.
Abertura: 6 de novembro, às 14h.
Permanência: durante o mês de novembro.



