Durante o Projeto Magistratura Vai à Escola, a juíza Luciane Buriasco Isquerdo conversou com mais de 100 alunos do Ensino Médio em Campo Grande
Neiba Ota – Como acionar a Justiça quando um paciente corre risco de morte enquanto aguarda atendimento pelo Sistema Único de Saúde (SUS)? E o que é preciso para ser um bom juiz? Essas foram algumas das perguntas feitas por estudantes da Escola Estadual Professora Brasilina Ferraz Mantero, no Jardim Leblon, em Campo Grande, durante mais uma edição do projeto Magistratura Vai à Escola, realizada nesta quarta-feira (4).
Mais de 100 alunos do Ensino Médio participaram do encontro com a juíza Luciane Buriasco Isquerdo, diretora de Administração da Escola Superior da Magistratura de Mato Grosso do Sul (Esmagis), que conversou sobre o funcionamento da Justiça, os desafios da profissão e o papel dos magistrados na sociedade.
Uma das questões levantadas pelos estudantes envolveu o direito à saúde. Ao ser perguntada sobre o que uma família pode fazer quando um paciente enfrenta risco de morte na fila do SUS, sem conseguir atendimento, a magistrada explicou que a Justiça conta com plantão para situações urgentes, inclusive fora do horário normal de expediente.
Ela orientou que, nessas circunstâncias, a família pode procurar a Defensoria Pública, que avaliará o caso e poderá acionar o Poder Judiciário para solicitar uma medida urgente.
Outra pergunta trouxe uma reflexão sobre a própria magistratura: o que é preciso para ser um bom juiz?
A juíza Luciane respondeu que o magistrado precisa se importar com os problemas das outras pessoas e estar disposto a resolver conflitos que não são seus, mas que afetam a vida de outros cidadãos.
A juíza lembrou ainda que os magistrados também enfrentam conflitos pessoais e, nessas situações, podem precisar recorrer à Justiça. “Afinal, antes de exercer a profissão, o juiz também é um cidadão.”
Mulheres na magistratura
Durante a conversa, a juíza Luciane também apresentou um pouco da história da magistratura brasileira, destacando o ingresso da primeira mulher na carreira, em 1939.
A pioneira foi Auri Moura Costa, que assumiu a função de juíza no Ceará e abriu caminho para a presença feminina no Poder Judiciário.
Ao abordar essa trajetória, a magistrada Luciane incentivou especialmente as estudantes a considerarem a carreira jurídica, ressaltando que a magistratura não é uma profissão exclusiva dos homens, mas uma possibilidade para mulheres e homens.
O encontro proporcionou aos jovens a oportunidade de esclarecer dúvidas, conhecer melhor o funcionamento do Judiciário e compreender que a Justiça também faz parte de situações concretas do cotidiano.

Promovido pela Associação dos Magistrados de Mato Grosso do Sul (Amamsul), o Projeto Magistratura Vai à Escola busca aproximar magistrados e estudantes, incentivando o diálogo, o conhecimento sobre direitos e deveres e o exercício da cidadania.



