Flávio Bolsonaro fala em mudar a constituição; Você concorda?

Antes mesmo do segundo turno, candidato do PL já anuncia a intenção de alterar a Constituição caso chegue à Presidência. Declaração ocorre após avanço da direita no Congresso e coloca no centro da campanha uma questão fundamental: o que Flávio pretende mudar no texto constitucional?

NOTICIAS AO MINUTO – Flávio Bolsonaro ainda disputa o segundo turno da eleição presidencial, mas já fala abertamente em mudar a Constituição caso chegue ao Palácio do Planalto. A declaração ganha ainda mais relevância diante da nova composição do Congresso, marcada pelo avanço da direita tanto na Câmara dos Deputados quanto no Senado.

Mas o que, exatamente, Flávio pretende mudar? E até onde poderiam chegar essas alterações? O candidato não apresentou, ao fazer a declaração, uma lista das mudanças constitucionais que pretende promover. Disse que elas seriam necessárias para “redemocratizar” o Brasil e para que “as instituições voltem a respeitar a Constituição”.

A fala coloca a própria Constituição no centro do debate antes da escolha definitiva entre Flávio e Lula no segundo turno. Afinal, é nela que estão estabelecidos desde a organização dos Poderes e as competências do presidente e do Congresso até direitos e garantias fundamentais dos brasileiros.

O PL elegeu as maiores bancadas das duas Casas para a próxima legislatura, com 28 das 81 cadeiras do Senado e 121 das 513 vagas da Câmara dos Deputados. Os números, no entanto, não representam maioria absoluta do partido isoladamente.

É justamente a nova composição do Congresso que Flávio cita ao falar sobre seus planos para um eventual governo.

“O Brasil já me deu um Congresso muito mais à direita do que ele já é hoje. Com maioria no Senado para [eleger] o presidente do Senado, com maioria na Câmara para fazer o presidente da Câmara”, afirmou.

“Para a gente mudar a Constituição, para a gente redemocratizar este país, para as instituições voltarem a respeitar a Constituição”, acrescentou durante discurso em Goiânia.

Flávio não detalhou, nessa declaração, quais dispositivos da Constituição pretende alterar. No mesmo ato, porém, apresentou algumas das medidas que pretende defender caso seja eleito, entre elas a redução da maioridade penal e a castração química de pedófilos e estupradores.

Ao falar sobre segurança pública e endurecimento das leis penais, o candidato também afirmou que sua eventual gestão irá “arregaçar com vagabundo”

Mudanças na Constituição exigem três quintos do Congresso

Apesar do avanço do PL e de outros partidos de direita, um presidente não pode alterar a Constituição sozinho. Uma proposta de emenda à Constituição (PEC) precisa ser discutida e votada em dois turnos na Câmara dos Deputados e no Senado.

Para ser aprovada, são necessários os votos de três quintos dos parlamentares em cada Casa, o equivalente a pelo menos 308 dos 513 deputados e 49 dos 81 senadores.

Assim, os 121 deputados e 28 senadores eleitos pelo PL não são suficientes, isoladamente, para aprovar uma mudança constitucional.

A base de apoio de um eventual governo Flávio Bolsonaro poderá, porém, ser maior. PP e União Brasil, partidos que tiveram espaço no governo Lula, já declararam apoio ao candidato do PL no segundo turno.

Além disso, a própria Constituição estabelece limites ao poder de reforma. As chamadas cláusulas pétreas não podem ser abolidas por uma PEC. Entre elas estão a forma federativa de Estado, o voto direto, secreto, universal e periódico, a separação dos Poderes e os direitos e garantias individuais.

Flávio recebe apoio de Ronaldo Caiado

As declarações de Flávio ocorreram durante um ato em que recebeu o apoio de Ronaldo Caiado (PSD), candidato derrotado à Presidência no primeiro turno.

Caiado terminou a disputa em quinto lugar, com 2,18% dos votos válidos, pouco mais de 2,6 milhões de votos.

Este foi o segundo apoio formal recebido por Flávio de um adversário na disputa presidencial. Romeu Zema (Novo), que registrou 0,27% nas urnas, pouco mais de 326 mil votos válidos, também declarou apoio ao candidato do PL.

O ex-presidente Michel Temer (MDB), que governou o Brasil entre 2016 e 2018 após o impeachment de Dilma Rousseff, também usou as redes sociais para declarar apoio a Flávio.

Filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro, Flávio foi o candidato mais votado no primeiro turno, com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula. A diferença entre os dois foi de pouco mais de 2 milhões de votos.

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