As urnas deste domingo (4) confirmaram o que as pesquisas de reta final já sinalizavam: Eduardo Riedel (PP) garantiu a reeleição ao Governo de Mato Grosso do Sul com uma vitória esmagadora, liquidando a fatura ainda no primeiro turno. Fábio Trad (PT) ficou em segundo lugar, mostrando a postura tímida da esquerda em Mato Grosso do Sul.
O triunfo veio acompanhado de um recado incisivo do eleitorado na disputa legislativa majoritária. O Estado enviará ao Senado Federal dois nomes do PL: o ex-governador Reinaldo Azambuja e o ex-deputado estadual Capitão Contar, que vão acompanhar Tereza Cristina (PP) eleita no pleito anterior. O resultado referenda a força da máquina estadual e consolida MS como uma das principais fortalezas da direita no país.
A reeleição antecipada de Riedel é resultado direto da capitalização de seu primeiro mandato. A campanha vitoriosa teve como vitrine principal a atração de capital privado, especialmente no setor de celulose e bioenergia, os avanços logísticos impulsionados pela Rota Bioceânica e os repasses fundo a fundo aos 79 municípios. Ao aliar o pragmatismo administrativo às pautas do agronegócio, o governador sufocou as candidaturas de oposição.
Para os próximos quatro anos, o governador eleito entra com o capital político necessário para avançar em suas promessas de campanha. A pauta apresentada ao eleitor inclui o aprofundamento das concessões públicas, como o projeto da Malha Oeste e rodovias estaduais, a meta de tornar o Estado “Carbono Neutro” até 2030 e a promessa de ampliar a industrialização no interior, sem aumentar a carga tributária do setor produtivo.
O peso do PL
Se no Parque dos Poderes a continuidade técnica ditou o ritmo, na corrida pelas duas cadeiras ao Senado, o resultado consagra a capilaridade eleitoral e o peso ideológico do Partido Liberal. A eleição simultânea de Reinaldo Azambuja e Capitão Contar cria um cenário político peculiar. Adversários ferrenhos no pleito de 2022, ambos agora dividirão a mesma legenda e a representação de Mato Grosso do Sul no Congresso Nacional, ao lado de Tereza Cristina.
Azambuja chega a Brasília chancelado por sua forte influência sobre os prefeitos do interior e pela reestruturação financeira do Estado durante seus oito anos de mandato. Já Contar retorna ao cenário ancorado no voto de opinião da direita ideológica e no capital político do bolsonarismo.
Por fim, a vitória da dupla do PL escancara a falta de expressão do eleitorado sul-mato-grossense em relação a projetos de esquerda, deixando o campo progressista sem qualquer assento nas vagas majoritárias mais uma vez. Soraya Thronicke (PSB), que se arriscou ao abandonar o bolsonarismo e fazer uma aliança com o PT de Vander Loubet, sentiu na pele a preferência do eleitorado local.



