À frente da Setesc, Marcelo acompanhou a estruturação da Suprova, ampliou ações contra maus-tratos, apoiou protetores e entidades e colocou a castração gratuita em escala estadual
A proteção da vida animal ganhou espaço como política pública estruturada em Mato Grosso do Sul durante a passagem de Professor Marcelo Miranda pela Secretaria de Estado de Turismo, Esporte e Cultura. À frente da Setesc entre 2023 e abril de 2026, Marcelo acompanhou a implantação e o fortalecimento da Superintendência de Políticas Integradas de Proteção da Vida Animal (Suprova), criada para organizar ações de proteção, conscientização, controle populacional e combate aos maus-tratos. A atuação passou a integrar a pauta do Estado de forma permanente, aproximando governo, municípios, protetores e entidades da sociedade civil.
Uma das frentes foi o combate aos maus-tratos e ao abandono. A Suprova passou a desenvolver campanhas educativas e ações de conscientização, inclusive utilizando espaços de grande circulação, eventos esportivos e atividades culturais para levar a mensagem sobre guarda responsável e respeito aos animais. Em 2024, o Festival Vida Animal reuniu seminários, orientações, feira de adoção e ações de conscientização. Já em 2025, uma parceria com a Polícia Civil permitiu a criação de uma ferramenta específica na Delegacia Virtual para registrar denúncias de maus-tratos, com acompanhamento dos casos pela Suprova. A plataforma chegou a registrar cerca de 40 denúncias por semana.
Outro eixo foi o reconhecimento de quem já fazia esse trabalho diariamente. Mato Grosso do Sul possui cerca de 300 entidades de proteção animal, além de protetores independentes que mantêm animais sob seus cuidados. Em 2024, o Governo do Estado criou a Certificação Estadual de Protetores de Animais (CEPA), iniciativa coordenada pela Setesc por meio da Suprova para organizar essa rede e facilitar o acesso a programas estaduais de suporte e bem-estar animal. A certificação também abriu caminho para que protetores e organizações pudessem participar das ações da Caravana da Castração.
O principal símbolo dessa nova política foi a Caravana da Castração, criada dentro do programa MS Vida Animal. Com investimento inicial de R$ 5 milhões, a iniciativa passou a levar para diferentes regiões do Estado uma estrutura veterinária completa, oferecendo castração gratuita, microchipagem, medicação, roupinha cirúrgica, colar pós-operatório e suporte veterinário para eventuais intercorrências. Em 2025, a caravana alcançou 45 municípios e realizou mais de 16,7 mil castrações. No encerramento do primeiro ciclo, em abril de 2026, a marca chegou a 20 mil animais atendidos em 63 municípios.
Para Marcelo, a castração representa mais do que o cuidado individual com cada animal. “Quando a gente fala de proteção animal, estamos falando também de saúde pública, de prevenção e de responsabilidade. A castração ajuda a controlar a reprodução de forma responsável, reduz o abandono e evita que milhares de animais acabem nas ruas. Mas existe também uma dimensão humana nisso tudo, porque quem tem um animal de estimação sabe o quanto esses bichinhos fazem parte da família. O papel do Estado é criar condições para que esse cuidado chegue também a quem não consegue pagar por um procedimento veterinário”, afirma o professor.
A política também ganhou apoio para entidades que atuam diretamente na ponta. Em 2024, emendas parlamentares viabilizaram R$ 480 mil para organizações de diferentes municípios, com recursos destinados a ações como castração, assistência veterinária e campanhas educativas. Ao mesmo tempo, as ações da Suprova passaram a ser integradas a outros espaços públicos, como o futebol e eventos estaduais, ampliando a divulgação sobre adoção responsável, combate aos maus-tratos e abandono. A proposta foi levar a causa animal para além dos espaços tradicionalmente ligados ao tema e fazer com que a conscientização chegasse a públicos cada vez maiores.
A trajetória construída entre 2023 e abril de 2026 deixou uma estrutura que combina prevenção, fiscalização, conscientização, apoio aos protetores e controle populacional responsável. Para Marcelo, cuidar dos animais é também cuidar das pessoas e das cidades. “Eu acredito que uma política pública de proteção animal precisa olhar para todos os lados: para o animal que precisa de atendimento, para a pessoa que denuncia um caso de maus-tratos, para a protetora que muitas vezes tira dinheiro do próprio bolso para salvar uma vida e para os municípios que precisam de apoio. Quando conseguimos juntar tudo isso em uma política de Estado, estamos falando de respeito à vida e de uma sociedade mais responsável”, afirma.




