Magistrado da Comarca de Anastácio, Luciano Pedro Beladelli, retorna a região norte da Capital para contar aos alunos, da Escola Estadual Lino Vilachá, onde sua história começou
Neiba Ota – O juiz Luciano Pedro Beladelli saiu de Anastácio e percorreu cerca de 130 quilômetros até Campo Grande para participar do projeto Magistratura Vai à Escola, na Escola Estadual Lino Vilachá, no bairro Nova Lima, na noite dessa quinta-feira (24/09). A região não era desconhecida para ele. Antes de ingressar na magistratura, o magistrado Beladelli trabalhou durante dez anos como oficial de Justiça naquela parte da Capital. “Eu vi cada estabelecimento comercial que se instalou aqui”, recordou.
Sua história profissional começou ainda antes. Já, na adolescência, foi frentista, chegou a juntar latinhas recicláveis para ajudar em casa e enfrentou uma longa trajetória de preparação para concursos públicos. Em dez anos de estudos, foram 21 concursos até alcançar a aprovação para a magistratura.
Hoje, após 15 anos como juiz, voltou à região para mostrar aos estudantes justamente aquilo que muitas vezes não aparece quando se olha para alguém que alcançou uma posição profissional de destaque. “Às vezes, olhamos para uma pessoa e pensamos que tudo foi fácil. Mas as coisas não são assim. Vêm de muita luta, estudo e incentivo”, contou aos alunos.
Estudante questiona igualdade de gênero no Judiciário
O encontro não ficou restrito à trajetória profissional do magistrado. Os estudantes fizeram perguntas e levaram temas atuais para a conversa.
Um aluno quis saber sobre a presença das mulheres no Poder Judiciário e por que ainda existem poucas desembargadoras.
O juiz Beladelli explicou que a participação feminina diminui à medida que se chega aos postos mais altos da carreira e falou sobre as medidas adotadas pelo Conselho Nacional de Justiça para enfrentar essa desigualdade. “Hoje, no Tribunal de Mato Grosso do Sul são só três desembargadoras de 35”, comparou.
A Resolução CNJ nº 525/2023 estabeleceu uma ação afirmativa para ampliar o acesso de magistradas aos tribunais de segundo grau. Nos tribunais que ainda não alcançaram a proporção de 40% a 60% por gênero nos cargos da magistratura de carreira, as promoções por merecimento passam por editais alternados: um misto, aberto a homens e mulheres, e outro exclusivo para magistradas.
“A medida busca enfrentar uma realidade identificada pelo próprio CNJ: embora sejam maioria na população brasileira, as mulheres continuam sub-representadas na magistratura, especialmente nas instâncias superiores.”
Mensagem além da carreira
No final, o juiz Beladelli deixou aos jovens um conselho que não depende de concurso, profissão ou cargo.
Falou sobre respeito às pessoas, atenção às mulheres, cuidado, acolhimento e responsabilidade com o outro.
A visita terminou, assim, com uma mensagem que dialoga com a própria trajetória do magistrado: “o ponto de partida pode influenciar uma história, mas não precisa determinar onde ela termina.”
O juiz Luciano Pedro Beladelli atua atualmente na Comarca de Anastácio. Em agosto deste ano, também foi anunciado como um dos cinco finalistas do 6º Prêmio INAC de Integridade, com o projeto “Juventude no Cartório Eleitoral”.




