A dor nas costas, frequentemente associada ao envelhecimento, ao esforço físico ou a problemas posturais, vem assumindo proporções cada vez maiores e atingindo pessoas de diferentes faixas etárias. A lombalgia já é considerada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) a principal causa de incapacidade no mundo. Em 2020, aproximadamente 619 milhões de pessoas conviviam com dor lombar e a estimativa é de que esse número chegue a 843 milhões até 2050.
A Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT) informa que 80% das pessoas terão dor lombar em algum momento da vida. As mulheres e os indivíduos acima dos 40 anos são os grupos mais suscetíveis. O ortopedista e professor da Afya Educação Médica Belo Horizonte, Dr Gabriel Miura explica que embora o envelhecimento aumenta a frequência de alterações degenerativas na coluna, atualmente observamos dor lombar com muita frequência também em adultos jovens, principalmente pela combinação de sedentarismo, longos períodos sentados, pouca atividade física, excesso de peso e baixa massa muscular.
“A lombalgia acontece na região mais baixa das costas, entre as costelas e os glúteos. O estilo de vida moderno também contribui para o agravamento da situação. Passamos muitas horas trabalhando diante do computador, utilizando o celular e permanecendo na mesma posição. O problema não está simplesmente em sentar, mas em permanecer por muitas horas sem alternar posições e sem movimentar o corpo”.
Registros recentes do sistema público de saúde brasileiro (DataSUS) apontam um salto de 37,5% nos atendimentos hospitalares por problemas de coluna na população, ao longo dos últimos cinco anos. Entre crianças e adolescentes (até 19 anos) o salto foi de 72,8%.
“A coluna precisa estar preparada progressivamente para as demandas que recebe. A dor lombar precisa de avaliação médica quando é muito intensa, progressiva, persiste por um período prolongado ou apresenta características diferentes do habitual. Também merece atenção quando surge após um trauma importante ou está associada a febre, perda de peso inexplicada ou histórico de doenças relevantes”, complementa o docente da Afya.
Como prevenir e sinais de alerta
De acordo com a Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) 2019, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 21,6% dos brasileiros com 18 anos ou mais, cerca de 34,3 milhões de pessoas, relataram ter algum problema crônico na coluna. O especialista ressalta que também é comum observarmos problemas quando a pessoa passa muito tempo sem praticar atividade física e, de repente, retorna ao esporte ou à academia com uma carga muito elevada.
Dr Gabriel Miura explica que alguns sinais exigem atenção imediata, principalmente perda de força nas pernas, alterações importantes de sensibilidade, dificuldade para caminhar ou alterações no controle da urina e das fezes. Nesses casos, não é recomendado simplesmente esperar a dor passar ou recorrer à automedicação.
“A melhor estratégia é manter o corpo ativo. Exercícios regulares, fortalecimento muscular, controle do peso e uma rotina com movimentação ao longo do dia são importantes para a saúde da coluna. Também é importante evitar permanecer horas na mesma posição, fortalecer progressivamente a musculatura e preparar o corpo para as atividades realizadas no dia a dia. Na maioria dos casos de lombalgia comum, o repouso absoluto não é a melhor estratégia. Ficar muitos dias parado pode levar à perda de força e condicionamento e dificultar a recuperação”.
Quando não existem sinais de alerta, o ideal é manter as atividades de forma gradual, respeitando os limites da dor. A melhor prevenção é manter uma vida ativa, fortalecer o corpo e procurar avaliação médica quando a evolução não for a esperada.




