Escâdalo na saúde expõe administração de MS no Fantástico

Fantástico, da Rede Globo, detalha mais umescândalo na saúde no governo Riedel: com apoio de servidores, quadrilha roubava dinheiro público na compra de remédios para doentes de câncer

Mato Grosso do Sul do Sul foi destaque nacional neste domingo (20), mas não pelos números supostamente positivos que a propaganda do governo estadual tem apresentado durante a campanha eleitoral na TV. O Fantástico, da Rede Globo, detalhou mais um escândalo no combalido sistema de saúde estadual, ao mostrar um esquema ilícito no fornecimento de medicamentos para pacientes com câncer. Com apoio de servidores, de dentro da pasta da saúde, o grupo criminoso roubava dinheiro público no fornecimento de medicamentos para doentes de câncer que conseguiram decisões judiciais.  

A Operação OncoJuris, pauta da matéria do Fantástico, revelou um esquema criminoso, que movimentou mais de R$ 70 milhões e tornou ainda mais dolorosa a vida de famílias que já sofriam com um ente querido passando por essa enfermidade de tratamento difícil.

Enquanto advogados entravam com pedidos na Justiça, servidores infiltrados agilizavam os trâmites na secretaria. Eram aprovadas compras por valores superfaturados: medicamentos de R$ 1,2 mil, por exemplo, eram orçados por até R$ 100 mil, mostrou a reportagem,

A investigação apontou ainda que remédios sem registro na Anvisa eram importados da Índia, China, Paquistão e Turquia. A suspeita é que doses adulteradas possam ter agravado o estado de saúde dos doentes e contribuído para óbitos.

Entre os investigados estão dois ex-servidores estaduais, advogados e farmacêuticos.

Toda essa realidade de corrupção explorando a saúde só veio à tona pela denúncia da Defensoria Pública de Mato Grosso do Sul, revelou o programa da Rede Globo. Foi o órgão – que presta atendimento advocatício gratuito a pessoas sem condições de pagar para entrar na Justiça – que percebeu um padrão suspeito em processos para fornecimento de remédios não disponíveis nas farmácias públicas.

Apenas depois disso foi desenvolvida uma investigação, reunindo Polícia Civil, Receita Federal e Ministério Público de Mato Grosso do Sul.

Mais um caso vergonhoso

Além da OncoJuris, o setor enfrenta outros escândalos recentes. A Operação Gutenberg, por exemplo,  revelou que vagas de internação, exames e cirurgias no SUS eram usados como “moeda de troca” para pressionar prefeituras a fechar contratos fraudulentos, também com a participação de servidor com poder para definir a regulação de vagas na central do Governo do Estado. O rombo é estimado em R$ 27 milhões.

Em outra operação, recente, foi demonstrada a participação de um funcionário público no desvio de dinheiro da Santa Casa de Campo Grande, hospital que vive em crise há décadas e recebe socorro financeiro do próprio governo do estado.

Depois de assistir a reportagem, o candidato a governador da coligação “Por um MS do Povo”, Fábio Trad, revelou indignação com mais esse escândalo demonstrando em rede nacional.

“É um absurdo que isso aconteça com apoio de servidores de dentro da pasta que deveria cuidar da saúde das pessoas, que acabam sendo vitimas de um tipo de corrupção abjeta”, declarou.

“Torna-se mais preocupante ainda que o governo só aja depois de ser alertado por um órgão externo”, afirmou o candidato, lembrando que a administração estadual precisa ter órgãos de controle interno eficientes, e não apenas para constar, como esses casos têm deixado evidente.

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