Estado alcançou 500 mil qualificações profissionais e reduziu a extrema pobreza a 1,6%; governador reconhece que atendimento de saúde ainda precisa avançar e aponta reforma hospitalar como uma das respostas
Para uma família, desenvolvimento não aparece primeiro em gráficos ou rankings. Ele se torna concreto quando há trabalho e renda, quando a escola oferece melhores condições de aprendizagem, quando um atendimento de saúde pode ser feito mais perto de casa, quando a estrada reduz o isolamento, o saneamento alcança o bairro e um serviço público deixa de exigir horas de espera. É nessa passagem entre o indicador econômico e a rotina das pessoas que o Plano de Governo 2027–2030 proposto pelo governador Eduardo Riedel (Progressistas) situa o próximo ciclo de Mato Grosso do Sul.
Candidato à reeleição, Riedel apresenta o tripé “Crescer, Incluir e Transformar” como a síntese
desse projeto. A proposta reconhece que nem tudo foi concluído e projeta uma segunda etapa administrativa voltada a ampliar a escala e a presença territorial das políticas públicas. “A verdadeira transformação só será plena quando pudermos avançar, todos juntos, de mãos dadas, em direção de um novo futuro”, afirma.
O plano organiza essa visão em quatro dimensões: pessoas e desenvolvimento humano; competitividade e futuro; infraestrutura, cidades e sustentabilidade; e governança com transformação digital. O elo entre elas é uma ideia central: o crescimento econômico somente cumpre sua função quando se converte em oportunidades, redução das desigualdades e qualidade de vida.
Crescimento que precisa sair dos indicadores
O balanço dos últimos quatro anos começa pela mudança de escala da economia. O Produto Interno Bruto estadual passou de R$ 91,9 bilhões em 2016 para R$ 184,4 bilhões em 2023.
Naquele ano, Mato Grosso do Sul cresceu 13,4%, diante de uma média nacional de 3,2%, alcançando a segunda maior expansão entre os estados e o sexto maior PIB per capita do país. Em 2025, o crescimento foi de 5,3%, ante 2,5% para o Brasil.
A expansão é associada à industrialização ligada ao agronegócio e à atração de investimentos em celulose, bioetanol, proteína animal e logística. Foram mais de R$ 81 bilhões em investimentos privados atraídos desde 2023, mais de 19 mil empregos formais criados no último ano considerado e a realização de mais de 500 mil qualificações profissionais em três anos, além da presença da Funtrab nos 79 municípios.
Na vida cotidiana, essa estratégia aproxima a formação profissional das vagas abertas pelos novos empreendimentos e faz com que a expansão das grandes cadeias produtivas também alcance trabalhadores, fornecedores e empresas locais. O desafio não é apenas atrair capital, mas transformar a competitividade do Estado em aumento de renda e inclusão produtiva.
A dimensão social aparece como o outro lado desse processo. A extrema pobreza caiu de 4% para 1,6% em quatro anos e mais de 40 mil pessoas deixaram as condições mais precárias de vida. A política de assistência é uma combinação de transferência de renda, segurança alimentar, acesso à saúde, permanência escolar, acompanhamento familiar e encaminhamento para oportunidades de trabalho.
A Nova Arquitetura da Saúde articula atenção primária, polos regionais de média complexidade, hospitais de alta complexidade e regulação digital. O Hospital Regional de Mato Grosso do Sul está em processo de ampliação de 362 para 577 leitos por meio de parceria público-privada, enquanto a Telessaúde atua como instrumento para levar consultas especializadas ao interior sem exigir o deslocamento do paciente.
Na educação, uma escola estadual foi reformada ou construída a cada seis dias durante o mandato e a educação profissional chegou aos 79 municípios. Também se destacam a expansão do ensino em tempo integral, a redução da repetência pela metade e as taxas mínimas de abandono escolar. Na gestão pública, mais de 700 serviços digitais e a manutenção da Nota A do Tesouro Nacional por quatro anos consecutivos foram destaques.
A infraestrutura dá materialidade territorial aos últimos anos em MS. Entre 2023 e 2025 foram investidos mais de R$ 2 bilhões em rodovias, com 1.153 quilômetros pavimentados e 517 quilômetros restaurados. No saneamento, a cobertura de coleta e tratamento de esgoto avançou de 56% em 2021 para 77% da população em maio de 2026. “Para quem depende de uma estrada, de água tratada ou de uma rede de esgoto, são obras que aproximam a linguagem do desenvolvimento das necessidades mais elementares”, explica o governador.
Muita coisa a ser feita
Apesar de todos os resultados destacados, a transformação do Estado não é uma tarefa encerrada. Ao contrário. O acesso pleno à saúde, a superação de atrasos educacionais, a melhoria da qualidade do emprego e a distribuição mais ampla dos benefícios do crescimento continuam entre os desafios a enfrentar. O Plano de Governo de Riedel admite que esses benefícios ainda precisam chegar mais rapidamente à vida de cada sul-mato-grossense.
Essa constatação define o sentido político das propostas para 2027–2030. O próximo ciclo não é uma ruptura, mas a ampliação, consolidação e conclusão de políticas iniciadas. O objetivo é aumentar a capilaridade dos serviços, reduzir desigualdades entre regiões e preparar o Estado para mudanças econômicas, tecnológicas, ambientais e sociais.
Uma segunda etapa organizada em quatro frentes
Na primeira dimensão, voltada às pessoas, o plano propõe integrar proteção social, saúde, educação, segurança, cultura e esporte. Para famílias em situação de pobreza, prevê uma “cesta” articulada de serviços que pode reunir renda, alimentação, habitação, saneamento, acesso prioritário à saúde, escola em tempo integral, creche e qualificação profissional. Entre as metas estão pelo menos 600 novas vagas no MS Supera Mulher, para vítimas de violência, 500 vagas adicionais no Cuidar de Quem Cuida e um programa de emprego apoiado para pessoas com deficiência com no mínimo mil vagas.
Na saúde, a proposta é consolidar a regionalização, ampliar consultas, exames e procedimentos especializados, integrar a regulação estadual e municipal e expandir a saúde digital para todas as regiões. Na educação, Riedel propõe fortalecer a cooperação com os municípios nos primeiros anos escolares, ampliar as políticas de alfabetização e matemática, expandir o tempo integral no ensino fundamental e manter a modernização das escolas.
A segunda dimensão procura ligar competitividade a emprego e renda. O plano prevê atrair novos investimentos, ampliar a participação de fornecedores locais, diversificar a economia, aproximar universidades e empresas e preparar o Estado para a transição da reforma tributária. Entre os compromissos estão a atração de pelo menos dois centros de pesquisa e inovação, a formação de pelo menos cinco mil motoristas nas categorias D e E e de 400 novos desenvolvedores até 2030.
Na terceira frente, infraestrutura e sustentabilidade são tratadas como partes da mesma estratégia territorial. O documento propõe fazer com que mais de 50% das rodovias estaduais sejam pavimentadas e alcançar 6.660 quilômetros de malha pavimentada até 2030. Também prevê universalizar o saneamento, ampliar soluções para comunidades isoladas, fortalecer a habitação por meio do Bônus Moradia e do novo MS Moradia e atingir e demonstrar o status de Estado carbono neutro.
A quarta dimensão se concentra na capacidade de execução. A proposta é integrar planejamento, orçamento, monitoramento e avaliação, digitalizar integralmente os principais serviços, criar um ambiente digital único e uma identidade estadual para o cidadão, ampliar o uso de inteligência artificial e medir a experiência de quem utiliza o serviço público. “A tecnologia, nesse desenho, não aparece apenas como ferramenta administrativa, mas como forma de reduzir distâncias e simplificar o acesso ao Estado”, reflete o governador.
Ao reunir essas frentes, o Plano de Governo de Riedel procura estabelecer uma linha de continuidade entre o crescimento registrado e uma transformação ainda incompleta. O teste do novo ciclo estará menos na quantidade de propostas e mais na capacidade de fazê-las chegar à ponta: ao trabalhador que busca qualificação, à família que precisa de proteção, ao paciente do interior, ao estudante, ao produtor e ao morador que espera infraestrutura básica. É nesse cotidiano, e não apenas nos indicadores, que “crescer, incluir e transformar” ganhará sentido concreto.
Foto: Saul Schramm




