O Dia Internacional dos Povos Indígenas é uma oportunidade para ampliar a reflexão sobre a diversidade cultural e sobre a importância do respeito às especificidades dos povos originários, inclusive no acesso e na prestação de serviços de saúde.
Campo Grande (MS) – O Dia Internacional dos Povos Indígenas, celebrado em 9 de agosto, chama atenção para a diversidade cultural dos povos originários e para a importância de considerar suas especificidades em diferentes áreas, incluindo a saúde. No Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian, da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (Humap-UFMS), essas particularidades fazem parte do acompanhamento realizado pelo Comitê Indígena, que atua em demandas relacionadas ao atendimento de pacientes indígenas.
Alimentação, comunicação e práticas tradicionais de cuidado são alguns dos aspectos que podem fazer parte do atendimento hospitalar aos povos indígenas. Criado em fevereiro de 2026, o Comitê Indígena reúne profissionais de diferentes áreas, entre enfermeiros, médicos, técnicos de enfermagem, técnico de informática e arquiteta.
Um levantamento realizado entre janeiro e fevereiro deste ano registrou 110 atendimentos a pacientes indígenas na instituição, entre os ambulatórios e as áreas de internação. Entre os povos atendidos, os mais frequentes são Terena e Guarani Kaiowá.
De acordo com a enfermeira Sheila, integrante do Comitê Indígena, considerar as diferenças culturais faz parte do planejamento da assistência. “Significa respeitar as diferenças, saber ouvir o paciente, conhecer o seu entendimento no processo saúde-doença, conhecer suas vulnerabilidades e implementar ações de acordo com sua realidade cultural”, explica.
Entre as atribuições do comitê estão a adaptação dos atendimentos às necessidades dos pacientes indígenas, ações de conscientização dos profissionais, elaboração de protocolos voltados às especificidades dos povos originários e articulação com a rede de saúde indígena.
Comunicação e continuidade do cuidado
A comunicação é uma das situações que podem exigir medidas específicas durante o atendimento. Segundo Sheila, o comitê oferece suporte às equipes nesses casos e conta com a participação de profissional especializado em saúde indígena, além do apoio da Casa de Saúde Indígena (Casai) e do Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI-MS).
A articulação com a rede ocorre diretamente com os coordenadores dos polos-base dos municípios pertencentes ao DSEI-MS. O contato permite encaminhar demandas e contribuir para a continuidade do acompanhamento após o atendimento hospitalar.
No Humap-UFMS, o acompanhamento começa com a identificação do paciente indígena no momento da internação. O enfermeiro especialista em saúde indígena realiza o levantamento das necessidades apresentadas. Entre as questões que podem ser identificadas estão demandas alimentares e o interesse em receber a visita de um curador tradicional. A partir da necessidade identificada, o comitê articula com as equipes a possibilidade de adaptação do atendimento.
Para Sheila, considerar essas particularidades está relacionado ao atendimento humanizado. “Sem conscientização e respeito não existe atendimento humanizado. Sensibilizar é acolher, é atender de maneira equânime”, afirma.
Orientação aos profissionais
Outra atividade do comitê é a elaboração de uma cartilha de atendimento intercultural. O material reúne orientações para auxiliar os profissionais na compreensão de aspectos culturais relacionados ao atendimento dos povos indígenas.
Segundo Sheila, o material tem como objetivo aproximar as equipes da realidade cultural. “O objetivo é sensibilizar e direcionar os profissionais no atendimento, mostrar o que culturalmente importa para os povos indígenas, aproximando os profissionais para a realidade desses povos”, ressalta.
O atendimento intercultural considera aspectos relacionados à cultura, à comunicação e às práticas tradicionais de cuidado, contribuindo para que as necessidades apresentadas pelos pacientes indígenas sejam identificadas durante a assistência hospitalar.
O Dia Internacional dos Povos Indígenas é uma oportunidade para ampliar a reflexão sobre a diversidade cultural e sobre a importância do respeito às especificidades dos povos originários, inclusive no acesso e na prestação de serviços de saúde.




