| 28/7 é o Dia Mundial de Luta contra as Hepatites Virais Especialista alerta que hepatites B e C podem ser transmitidas ao bebê durante a gravidez ou no parto, mas medidas preventivas reduzem significativamente esse risco As hepatites virais são infecções que atingem o fígado e, quando presentes durante a gestação, podem representar riscos importantes para a saúde da mãe e do bebê. Embora muitas vezes não apresentem sintomas, as hepatites B e C podem ser transmitidas da gestante para o filho durante a gravidez ou no momento do parto, tornando o diagnóstico precoce uma das principais estratégias para prevenir complicações . Por esse motivo, o rastreamento dessas infecções faz parte da rotina do pré-natal. Segundo o ginecologista Dr. Regis Kreitchmann, presidente da Comissão Nacional Especializada em Doenças Infectocontagiosas da FEBRASGO, a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia, identificar precocemente a presença do vírus permite adotar medidas capazes de proteger tanto a gestante quanto o recém-nascido. “As hepatites B e C são as principais hepatites virais que podem afetar a gestação e atingir o bebê. Ambas são transmitidas principalmente por contato com sangue contaminado ou por relações sexuais sem proteção. O diagnóstico deve ser realizado em todas as gestantes para que possamos instituir o tratamento ou as medidas preventivas adequadas, preservando a saúde da mãe e da criança”, explica. O especialista destaca que a transmissão do vírus para o bebê pode ter consequências importantes. Quando a infecção ocorre nos primeiros momentos da vida, há maior probabilidade de evolução para formas crônicas da doença, aumentando, ao longo dos anos, o risco de cirrose e câncer de fígado. “O grande problema da transmissão vertical é que o bebê contaminado tem uma chance muito maior de desenvolver hepatite crônica, o que pode comprometer sua saúde no futuro. Por isso, prevenir essa transmissão é uma prioridade da assistência pré-natal”, afirma . DiagnósticoO diagnóstico das hepatites B e C é realizado por meio de exames de sangue incluídos na rotina do pré-natal. Além dos exames laboratoriais convencionais, também é possível utilizar testes rápidos, que necessitam apenas de uma gota de sangue e apresentam o resultado em aproximadamente 15 minutos. “São exames simples, rápidos e acessíveis. Quanto mais cedo a infecção for identificada, maiores são as possibilidades de proteger a mãe e evitar a transmissão para o bebê”, ressalta o médico. Entre as hepatites que podem acometer a gestação, apenas a hepatite B possui vacina. O Brasil mantém, desde 1998, a vacinação de rotina no calendário infantil, alcançando uma cobertura próxima de 98%, fator que contribuiu para reduzir significativamente os casos da doença no país. A primeira dose deve ser aplicada nas primeiras horas de vida do recém-nascido, seguida pelas demais doses durante o primeiro ano. Adultos que não foram imunizados na infância também podem receber três doses da vacina, garantindo proteção duradoura. Nos casos em que a gestante apresenta hepatite B crônica, pode ser necessária a utilização do antiviral tenofovir, medicamento considerado seguro tanto durante a gravidez quanto na amamentação. Após o nascimento, o bebê deve receber imediatamente a vacina e a imunoglobulina específica, combinação que reduz de forma expressiva o risco de infecção. O Dr. Regis explica que a hepatite C pode ser curada, mas tratamento deve ocorrer fora da gestação. Diferentemente da hepatite B, a hepatite C ainda não possui vacina. Entretanto, atualmente existem medicamentos administrados por via oral que apresentam elevadas taxas de cura. O tratamento, porém, não pode ser realizado durante a gravidez, sendo indicado antes da gestação ou após o nascimento do bebê. “Hoje dispomos de tratamentos altamente eficazes para a hepatite C. Por isso, o ideal é que mulheres diagnosticadas sejam tratadas antes de engravidar ou após o parto. Dessa forma, protegemos a saúde da mulher e reduzimos o risco de transmissão em futuras gestações”, conclui. |




