Advogado que pediu condenação do cliente é encontrado morto

(FOLHAPRESS) – O advogado Rodrigo Pantaleão, 53, que ganhou repercussão após concordar com a condenação do próprio cliente durante uma audiência em Florianópolis, foi encontrado morto dentro de casa nesta quinta-feira (25). O caso é investigado pela Polícia Civil.

Segundo a OAB-SC (Ordem dos Advogados do Brasil em Santa Catarina), não há indícios de violência ou de arrombamento no local. A entidade informou que entrou em contato com a Delegacia-Geral da Polícia Civil para acompanhar o caso e obter informações sobre o andamento das investigações.

Em nota, o presidente da seccional catarinense da OAB, Juliano Mandelli, afirmou que a entidade aguarda o resultado da necropsia antes de qualquer conclusão sobre a causa da morte.

“Acompanhamos as investigações para que todos os fatos sejam devidamente esclarecidos, especialmente no que diz respeito à eventual relação de crime com o exercício da advocacia e às prerrogativas profissionais”, disse.

A OAB afirmou ainda que, caso seja identificado qualquer indício de crime relacionado ao exercício profissional, cobrará a devida responsabilização.

Pantaleão ganhou repercussão nacional neste mês após concordar, durante uma audiência realizada em 28 de maio na 3ª Vara Criminal de Florianópolis, com as alegações do Ministério Público em um processo por tráfico de drogas e posse ilegal de arma.

Na ocasião, ao apresentar as alegações finais da defesa, o advogado afirmou que “corroborava” com os argumentos apresentados pela Promotoria. A juíza Carolina Ranzolin Nerbass, responsável pela audiência, recusou a manifestação e considerou o réu indefeso.

“Não posso considerar essas alegações finais, doutor. Eu vou considerar o réu indefeso”, disse a magistrada durante a sessão.

Após o episódio, o acusado recebeu prazo para constituir um novo advogado. Como não apresentou nova defesa, a Justiça nomeou um defensor dativo para atuar no caso.

A OAB-SC informou, na época, que havia solicitado informações e documentos relacionados ao processo para avaliar eventual adoção de medidas disciplinares. Segundo a entidade, procedimentos dessa natureza tramitam sob sigilo.

O processo criminal segue aguardando decisão judicial.

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