Artigo: QUANDO A METEOROLOGIA “MUDOU” UMA GUERRA

Ariosto Mesquita (*)

Não se trata de “o que” e sim “como” aconteceu. “Pressão” (Pressure), com estreia nos cinemas brasileiros prevista para setembro/2026, revela o tenso bastidor da invasão da Normandia pelos aliados, em 1944, primeiro passo significativo para a derrota nazista na Segunda Guerra Mundial. O foco é em como a meteorologia mudou o rumo do conflito e, por isso, tem como protagonista o capitão James Stagg (vivido pelo ótimo Andrew Scott), cujo trabalho científico preditivo foi fundamental para o sucesso da operação.

Em boa parte dos seus 100 minutos, o filme mostra o conflito entre Stagg (classificado pelos ingleses como um “gênio”) e Irving P. Krick (Chris Messina), meteorologista de confiança do general Dwight D. Eisenhower (futuro presidente dos EUA, na época comandante supremo das forças aliadas). O primeiro usava análises das condições meteorológicas atuais, em escala, e em tempo “quase real”. Já o norte-americano priorizava um trabalho preditivo de analogia, baseado na comparação de mapas meteorológicos de anos anteriores. Restando 72 dias para a data prevista para a invasão aliada, suas previsões eram conflituosas e qualquer deslize neste aspecto poderia colocar tudo a perder.

Destaque para Brendan Fraser, na pele de um convincente Eisenhower, mesmo carregando resquícios das dezenas de quilos que teve de ganhar para protagonizar “A Baleia” (2022), com o qual o levou a estatueta de Melhor Ator no Oscar 2023. Entre os coadjuvantes, gostei muito do talentoso Damian Lewis, sempre roubando a cena como o general Bernard Montgomery, que liderou as forças terrestres na operação.

Atenção para o final do segundo terço de filme, quando, enfim, chega o momento de se tomar a decisão final: manter a data da invasão ou adiar e correr o risco de a informação vazar aos alemães. O elenco brilha, em especial o personagem de Scott. A direção é de Anthony Meras, também coautor do roteiro, adaptado da peça de David Haig. Apesar de um certo desgaste de filmes sobre a Segunda Guerra Mundial, este carrega bons atributos. Certamente será pauta de debates no segundo semestre.

(*) Jornalista, especialista em Marketing e Comércio Exterior, mestre em Produção e Gestão Industrial e cinéfilo (ariostomesquita@gmail.com). 

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