Insetos sustentam a produção de alimentos, ajudam a manter ecossistemas inteiros e funcionam como indicadores da saúde ambiental

Evelise Couto Elas estão presentes no café da manhã, nas frutas consumidas ao longo do dia e em grande parte da produção agrícola mundial. Ainda assim, o papel das abelhas costuma passar despercebido pela maior parte da população. Neste 20 de maio, data em que é celebrado o Dia Mundial das Abelhas, especialistas reforçam que esses insetos são fundamentais não apenas para a produção de alimentos, mas para a manutenção da biodiversidade e do equilíbrio ambiental.
Segundo o veterinário Mozarth Vieira Junior, coordenador do curso de Medicina Veterinária da Estácio, as abelhas ocupam uma posição central nos ecossistemas terrestres por atuarem diretamente na polinização das plantas. Durante a busca por néctar, elas transportam pólen entre flores, permitindo a reprodução vegetal e contribuindo para a diversidade genética das espécies. “O papel das abelhas vai muito além da produção de mel. Elas são verdadeiras engenheiras invisíveis da biodiversidade”, destaca.
Na prática, isso impacta diretamente o cotidiano das pessoas. Frutas, vegetais, oleaginosas e leguminosas dependem da polinização para manter produtividade e qualidade. “Aproximadamente um terço do suprimento alimentar humano depende da atuação das abelhas”, pontua Mozarth.
Efeitos em cadeia
O desaparecimento desses polinizadores provoca consequências ambientais e econômicas difíceis de reverter. De acordo com o médico veterinário, as abelhas são consideradas espécies-chave, ou seja, organismos cuja ausência compromete o funcionamento de ecossistemas inteiros.
A redução das populações afeta desde plantas silvestres até a cadeia alimentar de outros animais. Além disso, culturas agrícolas altamente dependentes da polinização podem registrar queda de produtividade, encarecimento dos alimentos e impactos na segurança alimentar global.
Entre os principais fatores associados ao declínio das abelhas estão o uso inadequado de pesticidas, a perda de habitat, as mudanças climáticas, doenças e até a poluição do ar. Estudos recentes mostram que esses fatores atuam de forma simultânea, ampliando os impactos sobre as populações de polinizadores.
A relação entre as abelhas e a saúde humana também tem chamado atenção da comunidade científica. Segundo Mozarth, esses insetos funcionam como importantes indicadores ambientais. “Tudo aquilo que afeta o ecossistema das abelhas também impacta a cadeia alimentar humana. Elas funcionam como sentinelas ambientais”, explica.
A saúde das abelhas também passou a ser observada dentro do conceito de One Health — ou “Saúde Única” —, que conecta saúde humana, animal e ambiental. Na prática, isso significa que problemas que afetam as colmeias, como poluição, pesticidas e mudanças climáticas, também servem de alerta para impactos mais amplos no ecossistema e até na qualidade de vida da população.
Pequenas ações fazem diferença
Apesar do cenário de alerta, ações simples podem contribuir para a preservação das abelhas no dia a dia. O cultivo de flores nativas, a redução do uso de pesticidas e a criação de ambientes favoráveis aos polinizadores são algumas das medidas recomendadas.

Mesmo pequenos espaços urbanos, como jardins e varandas, podem colaborar. Estudos recentes mostram que áreas reduzidas com flores já são capazes de apoiar diferentes espécies de polinizadores.
Para o veterinário, a preservação das abelhas precisa ser entendida como uma questão coletiva. “As abelhas são infraestrutura ecológica viva. Proteger esses insetos significa proteger a segurança alimentar, a biodiversidade e a estabilidade ambiental”, conclui.




