eve sempre ser investigada com atenção, e nenhum sintoma neurológico deve ser ignorado”, explica.
O especialista também destaca que nem todo tumor cerebral exige cirurgia imediata, e que a conduta depende de uma série de fatores clínicos. “A decisão leva em conta o tipo do tumor, se é primário ou uma metástase, sua localização, tamanho, velocidade de crescimento e o estado geral do paciente. Existem casos em que optamos por acompanhamento, radioterapia ou quimioterapia como primeira linha de tratamento”, afirma. O médico ressalta, ainda, que apenas uma avaliação individualizada, feita por um neurocirurgião, pode definir a melhor estratégia em cada situação.
Entretanto, ainda assim, a cirurgia é frequentemente indicada em cenários específicos. “A intervenção cirúrgica é necessária principalmente quando há compressão de estruturas cerebrais, risco de comprometimento neurológico ou quando precisamos obter material para diagnóstico definitivo por meio de biópsia”, detalha. Nesses casos, a abordagem segue o princípio da máxima ressecção segura, ou seja, retirar o máximo possível do tumor preservando funções neurológicas e favorecendo a recuperação. “Além disso, a análise do tecido retirado permite estudos genéticos e moleculares que ajudam a orientar o tratamento mais adequado para cada paciente”, completa.
O médico da Afya Brasília também avalia que os avanços tecnológicos vêm ampliando não apenas a segurança, mas também a precisão e os resultados dos procedimentos cirúrgicos. Hoje, técnicas minimamente invasivas, aliadas à neuronavegação e à monitorização intraoperatória, permitem cirurgias mais seguras e com menor risco de sequelas. Segundo ele, esses recursos têm contribuído para recuperações mais rápidas, maior preservação das funções neurológicas e melhora na qualidade de vida dos pacientes, reforçando um cenário cada vez mais promissor no tratamento dos tumores cerebrais.
De acordo com o neurocirurgião, a trajetória do Oscar Schmidt também ajuda a ilustrar como esses tumores podem evoluir ao longo do tempo. Considerando apenas informações públicas disponíveis, o médico explica que neoplasias cerebrais desse tipo costumam apresentar sobrevida média em torno de uma década, variando conforme características do tumor e resposta ao tratamento. Nesse contexto, uma evolução próxima de 15 anos é vista como acima do esperado e reforça que o curso da doença pode ser prolongado, ainda que sujeito a complicações indiretas ao longo do tempo.
Para o médico, a conscientização é um dos pilares no enfrentamento da doença, ao lado do diagnóstico precoce e do acompanhamento com profissionais de confiança, fatores que ampliam as chances de tratamento eficaz e melhores desfechos, e afirma que iniciativas como o Maio Cinza cumprem um papel essencial ao ampliar o acesso à informação e reduzir o estigma. “Falar sobre o câncer cerebral é essencial para que as pessoas reconheçam sinais de alerta e busquem ajuda médica no momento certo. A informação salva vidas, e neste contexto em específico, o diagnóstico de um tumor cerebral não deve ser encarado como uma sentença, mas como uma condição que pode ser enfrentada com acompanhamento adequado e abordagem individualizada “, conclui.



