Dor abdominal e diarreia persistente podem indicar doenças intestinais graves

Nesta matéria, você verá: 

  • Doenças inflamatórias intestinais 
  • Doença celíaca 
  • O olhar da pediatria e a história de Pedro 
  • Cuidado multiprofissional como pilar do tratamento 

Brasília (DF) – Os hospitais universitários da Rede HU Brasil iniciam o mês de maio com duas campanhas de conscientização que têm em comum o objetivo de alertar para doenças que afetam o sistema digestivo e comprometem a qualidade de vida de centenas de brasileiros. O Maio Roxo chama atenção para as doenças inflamatórias intestinais (DII), doença de Crohn e retocolite ulcerativa, enquanto o Maio Verde foca na prevenção da doença celíaca. Especialistas reforçam que o diagnóstico precoce é decisivo para o sucesso dos tratamentos. 

Crohn e retocolite: inflamação crônica que vai além do intestino 

As DII são condições crônicas que impactam o trato gastrointestinal. Segundo a gastroenterologista Carla Elias, do Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian (Humap-UFMS), a origem da doença está em uma desregulação do sistema imunológico. “Nosso organismo passa a produzir células de defesa que atacam o próprio intestino, levando a um processo de inflamação crônica”, explica. 

Carla lembra que a doença de Crohn pode acometer da boca até o ânus. “Já na retocolite ulcerativa, as inflamações acontecem principalmente no reto e no colón, mais restritas ao intestino grosso”, relata. Os sintomas mais comuns que levam o paciente a buscar atendimento são dor abdominal e diarreia. “Quando esse quadro começa a ficar persistente e progressivo e o paciente tem 30 dias de diarreia, por exemplo, ele precisa ser investigado”, alerta Carla. Sinais de alarme incluem despertar noturno por dor ou diarreia, presença de sangue nas fezes, perda de peso inexplicada, febre e manifestações extraintestinais como dores articulares, inflamações oculares e lesões de pele. 

Carla afirma que, de acordo com alguns estudos, quanto antes se inicia a terapia, mais efetivo é o tratamento e o controle da doença. Os últimos anos trouxeram uma revolução por meio dos medicamentos biológicos como Infliximabe, Vedolizumabe e Ustekinumabe, que transformaram o prognóstico dos pacientes. “O grande objetivo é que o paciente restaure totalmente sua qualidade de vida. Não falamos em cura, mas em controle da doença com restauração completa”, resume. 

Doença celíaca exige dieta rigorosa e atenção à contaminação 

Nikolay Mota, coloproctologista do Hospital Universitário da Universidade Federal do Maranhão (HU-UFMA), esclarece que a doença celíaca é uma desordem sistêmica autoimune que ocorre após a ingestão de glúten, uma proteína que está presente no trigo, centeio e na cevada. “A diferença entre a doença celíaca e a intolerância ao glúten é imunológica e estrutural. A sensibilidade ao glúten não celíaca gera sintomas gastrointestinais e sistêmicos após o consumo, mas sem os marcadores autoimunes ou lesão tecidual”, descreve. Por isso, na doença celíaca, o sistema de defesa do corpo ataca o próprio intestino. 

Até o momento, o único tratamento comprovado para a doença celíaca é a dieta totalmente isenta de glúten, por toda a vida. Isso inclui atenção à contaminação cruzada em utensílios, panelas e fornos. “Existem pesquisas promissoras envolvendo enzimas para digerir fragmentos tóxicos do glúten, além de vacinas de tolerância imunológica, mas nenhuma delas substitui a restrição alimentar na prática clínica atual”, ressalta Nikolay. 

O olhar da pediatria e a história de Pedro 

Na pediatria, as DII apresentam particularidades que tornam o diagnóstico ainda mais desafiador. “Quanto mais cedo essa doença começa, mais grave ela pode se manifestar”, alerta Silvio Carvalho, gastroenterologista pediátrico do Instituto de Puericultura e Pediatria Martago Gesteira (IPPMG/CH-UFRJ). Além dos sintomas clássicos, a ausência de crescimento adequado pode ser um sinal importante. “A simples perda de peso pode estar relacionada à doença inflamatória intestinal”, destaca.  

No campo terapêutico, enquanto adultos contam com uma gama de medicamentos biológicos disponíveis, as crianças enfrentam restrições importantes, já que apenas uma classe de biológicos é liberada para uso pediátrico, com limitações adicionais de faixa etária. 

Foi com esse desafio que começou a trajetória de Pedro, atualmente com 10 anos, como paciente de Silvio no CH-UFRJ. A mãe de Pedro, Jéssica Moraes, conta que os primeiros sintomas surgiram com apenas dois meses de vida. “Ele começou a apresentar diarreia constante, com muco e raios de sangue, e precisava estar sempre fazendo hidratação com soro”, relembra. 

O diagnóstico de Pedro só foi confirmado com um ano e três meses. Com quatro anos, Pedro precisou ser submetido a uma cirurgia de emergência, com retirada de 27 centímetros do intestino e uso de bolsa de colostomia por mais de um ano. “No momento, a gente perde o chão. Eu não sabia o que era doença de Crohn, como seria. Fiquei desorientada”, conta Jéssica. 

Acompanhado desde então pela equipe do CH-UFRJ, Pedro passou por momentos de estabilidade, experimentações medicamentosas e acompanhamento reumatológico. “Muda bastante a nossa rotina, porque a gente precisa fazer o tratamento certo, cuidar da alimentação e do emocional”, afirma a mãe, que elogia o suporte recebido pela equipe. “As enfermeiras do IPPMG me ajudaram bastante, os médicos são acolhedores e estão sempre me dando suporte”, ressalta. 

Cuidado multiprofissional como pilar do tratamento 

Em hospitais da Rede HU Brasil, o tratamento de ambas as condições é conduzido com uma abordagem multiprofissional. No Humap-UFMS, Carla Elias detalha que a equipe conta com a interface entre gastroenterologia, proctologia, centro de infusão para administração de medicamentos biológicos, nutricionistas e psicólogos. Já no IPPMG/CH-UFRJ, Silvio Carvalho reforça que o acompanhamento de crianças envolve gastroenterologista pediátrico, pediatra geral e nutricionista, com apoio de associações de celíacos que orientam as famílias sobre alimentação e locais para aquisição de produtos sem glúten. No HU-UFMA, as DII são atendidas pela gastroenterologia e coloproctologia, com suporte cirúrgico para os casos mais graves. 

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