Deputado aponta entraves para realização de grandes eventos

João Grilo /  Foto: Wagner Guimarães

A vida noturna de Campo Grande e de Mato Grosso do Sul ganhou espaço no plenário da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (ALEMS) nesta semana. Durante o grande expediente da sessão ordinária desta quinta-feira (23), o deputado estadual João Henrique (NOVO) defendeu a necessidade de discutir políticas públicas voltadas ao setor de eventos, cultura e entretenimento, apontando entraves legais, falta de infraestrutura e dificuldades enfrentadas por produtores e empresários.

Segundo o parlamentar, há demanda reprimida por parte da população, que busca opções de lazer e grandes eventos no Estado. “Precisamos colocar no plano de governo a questão da vida noturna. Existe um público que quer sair, quer consumir cultura e entretenimento, mas encontra obstáculos”, afirmou.

Na tribuna, João Henrique criticou o que considera excesso de burocracia e regras que dificultam o funcionamento de bares, restaurantes e eventos, como a legislação relacionada à chamada “Lei do Silêncio”. Ele também mencionou dificuldades para obtenção de alvarás e limitações para apresentações musicais em ambientes externos.

O deputado citou ainda problemas estruturais enfrentados em grandes eventos recentes, como o show da banda Guns N’ Roses, realizado no Autódromo Internacional de Campo Grande, que reuniu cerca de 30 mil pessoas, mas registrou falhas de logística e acesso ao local.

Outro exemplo foi o evento “Cê Tá Doido”, realizado em um posto de combustíveis na região do aeroporto da Capital, que, segundo ele, evidenciou tanto o interesse popular quanto desafios de mobilidade e organização.

Potencial artístico e econômico

Ao destacar talentos sul-mato-grossenses, o parlamentar citou nomes como Luan Santana e Michel Teló, além de artistas regionais em ascensão. Para ele, o Estado precisa criar condições para fortalecer a cadeia produtiva da cultura e dos eventos.

João Henrique também mencionou o impacto econômico indireto gerado por grandes atrações, incluindo serviços como transporte aéreo privado, que registraram alta demanda durante eventos recentes.

Gerson Claro sugeriu que espaços como o Morenão possam ser estruturados para receber grandes shows no futuro

O tema gerou debate entre os deputados. O presidente da Casa, Gerson Claro (PP), sugeriu que espaços como o Estádio Pedro Pedrossian (Morenão) possam ser estruturados para receber grandes shows no futuro.

Já o deputado Pedrossian Neto (Republicanos) defendeu a retomada do uso do Morenão como equipamento público estratégico para eventos de grande porte, destacando a importância de planejamento técnico e gestão adequada.

Por outro lado, Lidio Lopes (Avante) ressaltou a necessidade de cumprimento rigoroso das normas de segurança. Ele citou falhas na organização de eventos recentes, como ausência de licenças e problemas na comunicação com órgãos responsáveis, alertando para riscos à população.

Caminhos para o setor

Em resposta, João Henrique reconheceu a importância das regras, mas defendeu equilíbrio entre fiscalização e incentivo ao setor. Para ele, é necessário criar zonas específicas para eventos, investir em infraestrutura e melhorar a articulação entre Estado, municípios e órgãos reguladores.

“O Mato Grosso do Sul precisa avançar nesse debate. Temos potencial, temos público e temos artistas. O que falta é organização e condições para que a vida noturna e os grandes eventos aconteçam com qualidade e segurança”, concluiu.

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