Menopausa não é só calorão: insônia, ansiedade, e dor no corpo podem ser sinais

Mudanças no sono, no humor, na memória, na libido e até no trato urinário podem estar ligadas à transição hormonal, e muitas mulheres demoram a perceber

 menopausa ainda costuma ser resumida a ondas de calor e fim da menstruação. Mas, na prática, essa transição hormonal pode se manifestar de formas muito mais amplas e silenciosas, afetando corpo, mente, rotina e qualidade de vida de milhares de mulheres. Insônia, irritabilidade, ansiedade, lapsos de memória, palpitações, dores musculares e articulares, queda da libido, ganho de peso, secura vaginal, infecção urinária recorrente e até alterações na pele, na boca e na gengiva estão entre os sintomas descritos por fontes clínicas e de saúde pública sobre perimenopausa e menopausa.

Segundo a médica nutróloga Dra. Mariana Wogel, um dos maiores problemas é que muitas mulheres não associam esses sinais à menopausa e acabam convivendo com o desconforto por meses ou anos sem investigação adequada. “Nem toda mulher vai chegar ao consultório falando de calorão. Muitas chegam dizendo que não se reconhecem mais, que estão exaustas, irritadas, com dificuldade para dormir, com o corpo mudando e sem entender o que está acontecendo. E, muitas vezes, isso já tem relação com a menopausa”, afirma.

A literatura médica mostra que os sintomas mais clássicos da menopausa incluem fogachos, suores noturnos, alterações do sono e desconfortos geniturinários, como secura vaginal e dor na relação. Mas o quadro é mais amplo e também pode envolver mudanças de humor, névoa mental, piora da concentração, aumento da gordura abdominal, alterações metabólicas, baixa autoestima e sintomas urinários progressivos.

Entre os sintomas menos óbvios, e que costumam surpreender as pacientes, estão palpitações, dores articulares, coceira na pele, sensibilidade nos dentes, dor na gengiva e problemas urinários recorrentes. Também são descritos em estudos sintomas somáticos e psicológicos como esquecimento, cefaleia, tontura, sensação de formigamento, alterações de humor e dificuldade para manter o mesmo rendimento físico e mental de antes.

Para a Dra. Mariana, o risco está em tratar cada queixa como se fosse um problema separado. “A mulher começa a receber um remédio para dormir, outro para ansiedade, outro para dor, e segue sem entender o quadro como um todo. Quando ela percebe que o sono mudou, o humor mudou, a libido caiu, a energia desapareceu e o corpo já não responde como antes, isso não pode ser banalizado”, diz.

“Recentemente, atendi uma mulher que convivia havia muito tempo com dores no corpo, tristeza, cansaço e perda importante de qualidade de vida. Ela já tinha tratado sintomas isolados, mas nunca tinha recebido uma investigação mais ampla para menopausa porque não tinha fogachos como principal queixa. E isso acontece com mais frequência do que se imagina”, reforça.

Outro ponto importante é que esses sintomas podem surgir ainda na perimenopausa, fase em que a mulher continua menstruando, mas já enfrenta oscilações hormonais importantes. Isso significa que mulheres na faixa dos 40 anos, e às vezes até antes, podem começar a sentir cansaço, ansiedade, alterações de memória, dificuldade de concentração, mudanças corporais e desconfortos urinários sem perceber que já estão entrando na transição menopausal.

A especialista ressalta que o impacto vai além do desconforto físico e pode afetar relações, autoestima e desempenho profissional. “Muitas mulheres acham que estão falhando, que perderam disciplina, força ou produtividade. Mas, em vários casos, o que existe é uma mudança hormonal real, que precisa ser avaliada com seriedade. Não é frescura, não é exagero e não deve ser tratado como algo que a mulher simplesmente precisa suportar”, afirma.

O alerta, segundo a médica, é procurar avaliação quando os sintomas começam a interferir no bem-estar e na vida diária. “Se você sente que não está se reconhecendo mais, que seu corpo mudou, seu humor mudou, seu sono mudou e sua disposição caiu, isso merece investigação. Menopausa não precisa ser sinônimo de sofrimento silencioso”, conclui Dra. Mariana Wogel.

Dra. Mariana Wog

Médica nutróloga, especialista em Nutrologia pela ABRAN/AMB, com atuação em saúde feminina, emagrecimento, fertilidade e medicina integrativa. Autora de dois livros e criadora do Programa Ser Livre, atende em Três Rios e Itaipava com foco em cuidado integral, acompanhamento contínuo e saúde da mulher em diferentes fases da vida.

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