Celebrado no dia 13 de abril, o Dia do Beijo traz um alerta de saúde ganhando um novo patamar de complexidade. Além das infecções imediatas, evidências científicas recentes trazem à tona uma preocupação de longo prazo: a relação entre a mononucleose e o desenvolvimento da esclerose múltipla (EM).
Um estudo conduzido por pesquisadores do Instituto Karolinska, na Suécia, e publicado no início deste ano na Revista Cell, demonstra que células do sistema imunológico, ao serem ativadas para combater o vírus Epstein-Barr (EBV), principal agente causador da mononucleose infecciosa (doença do beijo), podem também reagir contra uma proteína do cérebro, levando a condição de EM.
A mononucleose infecciosa é a doença mais popular associada ao ato íntimo comum entre pessoas conhecida como “doença do beijo”. Segundo o Ministério da Saúde, entre 90% e 95% dos adultos brasileiros possuem sorologia positiva para o vírus, indicando contato prévio. O médico e professor de pós-graduação em Neurologia da Afya Educação Médica Belo Horizonte, Dr. Philipe Marques da Cunha, explica que a semelhança entre proteínas do vírus e proteínas do cérebro pode desencadear um processo inflamatório, conhecido como mimetismo molecular.
“É como se o corpo errasse o alvo. Esse engano pode desencadear um processo inflamatório que, ao longo do tempo, contribui para o desenvolvimento da esclerose múltipla. O Epstein-Barr não causa a doença sozinho, mas pode atuar como um gatilho importante em pessoas que já têm predisposição”.
A pesquisa demonstra, segundo o neurologista da Afya, como uma infecção aparentemente simples pode contribuir para o surgimento de uma doença neurológica crônica. A esclerose múltipla é marcada justamente por uma resposta imunológica desregulada, que leva o organismo a atacar o próprio sistema nervoso central. “Em pessoas geneticamente suscetíveis, a resposta imune ao vírus pode se desviar e passar a atacar uma proteína cerebral por meio desse mimetismo molecular. Isso não significa que toda infecção levará à esclerose múltipla, mas contribui para compreender um dos vários mecanismos que podem estar envolvidos no surgimento da doença”, complementa o neurologista.
Transmissão pelo beijo
Além da “doença do beijo”, outra condição bastante comum é a herpes labial, provocada pelo vírus Herpes Simples tipo 1 (HSV-1). Informações da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) e da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam para a alta exposição da população adulta brasileira a esse outro agente infeccioso.
Segundo o Conselho Regional de Odontologia destaca que a cavidade bucal abriga mais de 700 espécies diferentes de bactérias, evidenciando a grande diversidade de microrganismos presentes na boca. O médico infectologista e professor da Afya Itajubá, Dr Bruno Michel e Silva, informa que a transmissão de vírus e bactérias durante o beijo ocorre principalmente pelo contato com a saliva, que pode conter microrganismos, além do contato direto com lesões na boca ou nos lábios, o que facilita ainda mais a infecção.
“Podem ser transmitidas infecções como gripes e resfriados (por vírus respiratórios), herpes labial (vírus herpes simples), mononucleose (vírus Epstein-Barr), além de amigdalite e faringite (geralmente por vírus ou bactérias) e, mais raramente, sífilis (em caso de lesões na boca). As manifestações clínicas podem incluir dor de garganta com placas, febre e aumento dos linfonodos, especialmente na região do pescoço”.




