Ator tinha 66 anos e convivia há quase três décadas com sequelas após ser baleado em assalto. Conhecido por novelas da Globo, marcou época na TV antes de ter a carreira interrompida pelo episódio violento
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Morreu, na última segunda-feira (23), o ator Gerson Brenner, que fez novelas como “Rainha da Sucata” e “Deus nos Acuda”, sucesso da Globo nos anos 1980 e 1990. Ele tinha, 66 anos e, desde os 38, enfrentava as sequelas de um tiro que levou na cabeça, durante um assalto, em agosto de 1998, quando estava no ar como o fazendeiro Jorginho de “Corpo Dourado”.
A informação foi confirmada à reportagem pela sua mulher, Marta Brenner, com quem estava casado desde 2014. Ele deixa ainda as filhas, Vitória Brenner, de 25 anos -do relacionamento com a bailarina Denize Taccto, que estava grávida da menina na época do acidente-, e Anna Luisa Haas Oliveira, de 31 anos -da ex-modelo Ana Cristina Hass.
O ator viajava de São Paulo para o Rio de Janeiro quando foi baleado enquanto trocava os pneus de seu carro no acesso 60 da rodovia Ayrton Senna, ligação com via Dutra.
Ele ficou internado por meses, até outubro de 1998, quando teve alta. Desde então, lidava com problemas de fala, de locomoção e cognitivos e usava cadeira de rodas.
Os criminosos, entre 19 e 25 anos, foram presos dias depois do incidente e confessaram o crime. Eles haviam espalhado pedras pela estrada, forçando Brenner a parar o carro para trocar o pneu. Na ocasião, Brenner estava em plena trajetória de estrelato -era um dos principais personagens da trama, ao lado de Danielle Winits, que fazia a personagem Alicinha. O caso aconteceu às vésperas da última gravação da novela, que teria uma confraternização geral com todo o elenco.
Nascido em São Paulo, em 1959, Brenner estudou economia e comunicação social, mas não concluiu os cursos. Começou a se aproximar das artes cênicas trabalhando como modelo e manequim -chegou a desfilar para o francês Jean-Paul Gaultier- e a estrelar comerciais.
Seu anúncio mais conhecido, que o projetou nacionalmente, foi o da margarina Alpina. No mesmo período, formou-se pelo curso de teatro Macunaíma e passou a atuar em peças teatrais.
No final dos anos 1980, estrelou peças como “Querelle” e “1789, o Ano da Revolução”, sob a direção de Fabio Pillar e Francis Mayer. Mas sua carreira começou a deslanchar mesmo com o estrelato na TV.
Começou como o personagem Marcelo de “Kananga do Japão”, ainda na TV Manchete, em 1989. Mas, ainda no mesmo ano, apareceria na novela “Top Model”, da Globo. Inicialmente, fez uma pequena participação na novela, vivendo um advogado durante apenas cinco capítulos.
No ano seguinte, fez o papel de Gerson Giovanni, um dos três filhos da personagem dona Armênia, personagem de Aracy Balabanian, na novela “Rainha da Sucata”. Imigrante, dona Armênia o tratava na trama por “minha filhinha”. O bordão fez certo sucesso na época e foi seu papel de maior destaque.
A ela se seguiriam ainda os papéis em “Lua Cheia de Amor”, “Perigosas Peruas”, “Deus Nos Acuda”, “Olho no Olho” e outras, além de ter feito uma participação no longa “Navalha na Carne”, de Neville D’Almeida.
Brenner conheceu a psicóloga Marta na AACD, a Associação de Apoio à Criança Deficiente, onde ela o ajudava na recuperação. A esposa dizia ter sofrido preconceito no início da relação, então teria passado o caso de Brenner para outra colega.

Junto das filhas, ela promoveu campanhas para arrecadar dinheiro e ajudar na compra de equipamentos que ajudassem na recuperação física do marido. Brenner disse ainda à imprensa, ao longo dos anos, que gostaria de ter voltado à televisão, fosse como ator, fosse como diretor.




