Fabíola Fraga – A Comissão de Saúde da Câmara dos Deputados sediou, nesta terça-feira (17), uma audiência pública decisiva para o futuro da assistência à saúde no Brasil. Proposto pelo deputado federal Dr. Luiz Ovando (PP-MS), o debate reuniu especialistas e parlamentares para defender a reestruturação do sistema nacional de saúde a partir do fortalecimento do raciocínio clínico e da autonomia do médico generalista.
A tese central apresentada pelo parlamentar e ratificada por especialistas técnicos é que a dependência excessiva de exames e a fragmentação do cuidado encarecem o sistema e prejudicam o paciente. Dados discutidos no encontro indicam que sistemas de saúde com uma base clínica sólida conseguem resolver até 90% das demandas sem necessidade de encaminhamento para especialistas, o que aliviaria drasticamente as filas de espera.
“Valorizar o médico clínico é o caminho mais inteligente para cortar desperdícios. Quando o clínico atua com autonomia, evitamos encaminhamentos desnecessários e impedimos que o paciente sofra com viagens e longas esperas. É mais eficiência para o sistema e mais dignidade para quem precisa de cuidado”, afirmou o Dr. Luiz Ovando.
O fim da “ditadura das máquinas”
Durante a audiência, Dr. Luiz Ovando criticou a lógica tecnicista que dominou a medicina moderna. Para ele, a saúde foi “seduzida pelas máquinas”, fazendo com que exames complementares ocupassem o centro da decisão médica, em vez do contato direto com o paciente.
O debate contou com a participação do deputado e ex-ministro da Saúde, Osmar Terra (PL-RS), além de representantes de entidades médicas que alertaram para o esvaziamento da identidade do clínico e a baixa procura de novos médicos por áreas generalistas.
Pontos centrais da proposta:
- Eficiência Orçamentária: Racionalização de gastos ao evitar exames e procedimentos desnecessários.
- Coordenação do Cuidado: O médico clínico como o “maestro” do sistema, integrando diagnósticos e evitando a fragmentação.
- Descentralização: Fortalecimento do atendimento nos pequenos municípios, reduzindo a dependência de grandes centros.
- Formação Médica: Revisão do modelo de ensino para resgatar a importância da clínica médica como eixo estruturante.
Ao final do encontro, o Dr. Luiz Ovando reforçou que a proposta não visa substituir especialidades, mas reorganizar a hierarquia do sistema. “O clínico não pode ser periférico. Ele é estruturante”, concluiu.





