Celular na mão, horas na cadeira e estresse acumulado: sobrecarrega ao corpo

Docente da Estácio explica sinais de alerta e aponta mudanças simples que ajudam a evitar problemas posturais

Evelise Couto – O dia começa com o celular nas mãos, segue com horas sentado diante do computador e termina, muitas vezes, novamente diante de telas. Essa rotina, cada vez mais comum, tem deixado marcas no corpo, especialmente na coluna, nos ombros e no pescoço. Nos consultórios de fisioterapia, cresce o número de pessoas que procuram ajuda para lidar com dores que têm origem justamente nesse estilo de vida.

Segundo a fisioterapeuta Wandriane de Vargas, coordenadora do curso de Fisioterapia da Estácio em Campo Grande, as queixas mais frequentes estão relacionadas ao uso prolongado de celulares e ao tempo excessivo sentado. “Cada vez mais estão aparecendo pessoas com dores cervicais e lombares. É muito comum receber pacientes com dor no pescoço, entre as escápulas e na região lombar”, explica.

Esses sintomas têm surgido principalmente em adultos jovens. O padrão se repete: longos períodos na mesma posição, pouca movimentação ao longo do dia e o uso constante de telas. “Muitas pessoas passam várias horas sentadas, com pouca movimentação. Isso gera sobrecarga em alguns grupos musculares, fraqueza em outros e alterações posturais, como ombros projetados para frente e menor mobilidade da coluna torácica”, afirma.

Impacto – Entre os comportamentos mais associados a essas dores está a forma como o celular é utilizado. A cabeça inclinada para frente durante longos períodos cria uma pressão adicional sobre a coluna cervical e favorece o surgimento de desconfortos e tensões.

Esse padrão postural ficou conhecido popularmente como “pescoço de texto”. Embora o termo não seja um diagnóstico médico formal, ele descreve um quadro cada vez mais observado na prática clínica. “Quando a pessoa usa o celular com a cabeça inclinada para frente, aumenta bastante a sobrecarga sobre a coluna cervical. Com o tempo, essa posição pode gerar dor no pescoço, tensão nos ombros e até dores de cabeça”, explica Wandriane.

Além disso, a postura de ombros projetados e o aumento da curvatura da parte superior das costas podem reduzir a mobilidade da caixa torácica e favorecer uma respiração mais superficial. “O problema não é usar celular, e sim passar horas com a cabeça inclinada para frente e para baixo”, ressalta.

Estresse também pesa – Outro fator que contribui para o aumento das dores musculares é o estresse. Em momentos de tensão, o corpo reage aumentando a contração muscular, principalmente na região do pescoço, dos ombros e da parte superior das costas.

“Muitas pessoas passam o dia com os ombros contraídos sem perceber. Isso pode gerar sensação de peso, rigidez muscular e as famosas dores de cabeça tensionais”, explica a fisioterapeuta. O estresse também tende a reduzir a movimentação ao longo do dia e faz com que a pessoa permaneça mais tempo na mesma posição, o que intensifica as sobrecargas musculares.

Pontos de atenção – Os primeiros sinais de que o corpo está sofrendo com essa combinação costumam surgir de forma gradual. Entre os sintomas mais comuns estão dor no pescoço, rigidez muscular, dor entre as escápulas, lombalgia e dores de cabeça frequentes.

Em alguns casos também podem aparecer formigamentos nos braços ou sensação de cansaço muscular mesmo sem esforço físico intenso. Quando esses sintomas passam a ser recorrentes ou começam a interferir nas atividades do dia a dia, a recomendação é procurar avaliação profissional.

Pequenas mudanças – Apesar do impacto da rotina moderna no corpo,  a docente indica que algumas mudanças simples podem ajudar a prevenir dores e problemas posturais. “Evitar permanecer muitas horas seguidas sentado, fazer pausas ao longo do dia para levantar, caminhar ou alongar e ajustar o ambiente de trabalho são medidas que ajudam a reduzir sobrecargas”, sugere.

Manter a tela do computador na altura dos olhos, apoiar os pés no chão e evitar trabalhar com os ombros projetados para frente também contribuem para melhorar a postura. No caso do celular, elevar o aparelho em vez de inclinar excessivamente a cabeça já reduz a pressão sobre a região cervical.

Embora não exista uma postura perfeita mantida o tempo todo, alternar posições, movimentar o corpo ao longo do dia e manter uma rotina de atividade física ajudam a reduzir tensões e preservar a saúde da coluna em meio às exigências da vida conectada.

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