Bloco Forrozeiros MS homenageia profissional que mudou de carreira há 11 anos

CarnaForró acontece em 21 de fevereiro, na Esplanada Ferroviária, e homenageia Michele Lima, empresária e profissional da Dança, em programação aberta ao público

Karine Dias – O Bloco Forrozeiros MS, que sempre sai às ruas no Enterro dos Ossos, escolheu celebrar o Carnaval de 2026 homenageando Michele Lima, dona do Fulô Espaço de Dança — uma referência para quem vive o forró em Campo Grande. A homenagem reconhece uma trajetória construída com coragem: Michele mudou de carreira para se dedicar à dança e ajudar a formar novos dançarinos, fortalecendo uma comunidade que cresce a cada temporada. O CarnaForró 2026 será no dia 21 de fevereiro, na Esplanada Ferroviária, aberto ao público.

Criado em 2020, o Bloco Forrozeiros MS nasceu de uma conversa entre amigas, que queriam pular Carnaval ao som de forró. “Iríamos de início pular em outro blocos tradicionais de CG, mas a vontade era ter um dia só de forró. A ideia ganhou forma e virou realidade com o apoio do Grillo (Rubens Cordeiros), forrozeiro apaixonado pelo movimento. Ele estruturou a primeira edição, abraçou a ideia , foi atrás dos abadás, local e melhor dia para realização e parceria das bandas. E, assim, estamos na ativa desde 2020, com o forró, com o nosso Carnaval, mas no ritmo da zabumba, da sanfona e do triângulo”, relembra a fundadora e uma das organizadoras do bloco, Talita Canuto.

O Bloco Forrozeiros é associado ao ABC (Aglomerado de Blocos de Carnaval de Rua de Campo Grande), fundado no dia 23 de julho de 2024, e que hoje somam 13 blocos, sendo eles: Cordão Valu, Capivara Blasé, Farofolia, Farofa com Dendê, Forrozeiros MS, IPA Lê Lê, Bloco do Reggae, Nada Sobre Nós Sem Nós, Só Love, Bloco As Depravadas, Calcinha Molhada, Bloco Eita e Subaquera.

História da homenageada

Campo-grandense e mãe de dois meninos, Michele conta que a dança entrou cedo na vida dela. “Minha primeira lembrança é numa festinha de aniversário: eu queria dançar, mas fui chamada a atenção que não era pra ficar dançando. E eu só pensava: mas eu gosto disso! Por que parar?”, lembra. Em 2005, ela fez a primeira aula de dança — ainda como aluna — e, desde então, “depois disso, nunca mais parei”, afirmou.

Formada em Biologia em 2003, ela trabalhou com consultoria ambiental entre 2004 e 2012, mas a dança já disputava espaço na rotina. “Quando comecei a fazer aula de dança, no dia da minha aula eu só queria encerrar o expediente e ir pra aula!”, relembra. Em 2015, assumiu a primeira turma como professora e, em 2019, fez uma escolha definitiva. “Assumi o forró de vez. Deixei outros ritmos e fiquei dando aulas somente de forró. Foi aí que a ‘chave virou’”, declarou.

O Fulô Espaço de Dança nasceu da vontade de apresentar o forró de um jeito diferente. O início veio a partir da parceria com a professora de dança do ventre Ingrid Farah. O contrato do espaço foi fechado em março de 2020, no período em que começaram as medidas de restrição por causa da pandemia. “A gente fechou o contrato e na outra semana já fechou tudo. Eu fiquei com a chave do lugar na mão, sem entender muito o que estava acontecendo”, lembra Michele.

Apesar do cenário, a escola só foi inaugurada, de fato, em julho de 2020 e cresceu com apoio de alunos e amigos. “A escola veio crescendo porque sempre trabalhamos bem conscientes do nosso papel. Já construímos muitas histórias dentro desse lugar”, destacou.

Para Michele, o forró virou mais do que profissão. “O forró me despertou tantas coisas boas, me deu o que eu tenho de mais precioso hoje: a Fulô”, salientou. Ela também destaca a importância de ocupar esse espaço como mulher e reforçar, no dia a dia, um ambiente de respeito. “A gente fala sobre igualdade, sobre respeito ao outro… e até muda formas de tratar as pessoas. A gente não usa mais ‘dama e cavalheiro’, porque não faz mais sentido”, reforçou.

Em junho de 2022, Michele recebeu uma Moção de Congratulação da Câmara Municipal de Campo Grande pelo trabalho de fomento à Cultura por meio da dança e do empreendedorismo.

Além das aulas, ela é criadora do Forró de Quinta, baile que completa oito anos em 2026 e hoje acontece uma vez por mês. “Tem bailes temáticos e comemorativos, como ‘Forrolloween’, ‘All Black’, Festa Julina, ‘Vermelho e Branco’…”, relata. Criado quando ainda atuava em outra escola, o projeto foi mantido após a abertura do Fulô. A professora destaca ainda a busca constante por aperfeiçoamento, com formações e trocas fora do Estado. “Fui estudar forró em 2018, em Brasília, na escola ‘Lá na Dança’. Voltei já algumas vezes pra lá sempre na intenção de atualizar meus conhecimentos”, conta.

Ela cita também a experiência em Belo Horizonte, onde conheceu a escola Pé Descalço, referência no forró no Brasil e no exterior. “Gosto e sinto necessidade de estudar e atualizar meus conhecimentos, porque a dança não para de evoluir!”, destacou. Além disso, ela afirma já ter promovido workshops com professores de outros estados.

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