Mato Grosso do Sul já registra 10 novos casos neste ano
LN Comunicação – A ONA – Organização Nacional de Acreditação – coloca em pauta este mês um tema que muita gente acha que já conhece, mas ainda entende pouco: o HPV (papilomavírus humano), a Infecção Sexualmente Transmissível (IST) mais comum no mundo.
São mais de 100 tipos de vírus que atingem pele e mucosas. Sua transmissão acontece principalmente durante as relações sexuais — vaginal, anal ou oral — por contato direto com pele ou mucosas contaminadas. E aqui vai um alerta importante: HPV não é uma doença que afeta só mulheres. Homens também podem ser infectados, assim como crianças, e o vírus pode levar a câncer de colo do útero, pênis, ânus e garganta.
O HPV é o responsável por 99,7% dos casos de câncer do colo do útero. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), esse é o terceiro tumor mais frequente entre mulheres no Brasil, atrás apenas do câncer de mama e do colorretal. Para este ano, a estimativa é de 19.310 novos casos no país.
Os números preocupam. Dados do Painel Oncologia do DATASUS, compilados pela ONA, mostram que, até 15 de março, já haviam sido registrados 682 novos casos no Brasil em 2026. Em 2025, foram 12.753 novos registros e, em 2024, 20.406.
No Mato Grosso do Sul, no mesmo período deste ano, foram registrados 10 novos diagnósticos de câncer de colo de útero pelo SUS no estado. Ao todo, em 2025, foram 165. Já em 2024, 257.

Para o triênio 2026-2028, o INCA projeta cerca de 19,3 mil novos casos por ano — um crescimento de aproximadamente 13% em relação ao período anterior.
Nem sempre dá sinais – O diagnóstico do HPV nem sempre é simples. Em muitos casos, o vírus é assintomático. Quando há sintomas, podem surgir coceira, ardência, desconforto durante a relação sexual, rouquidão persistente ou dor de garganta. Lesões com aspecto semelhante a pequenas verrugas, às vezes lembrando uma “couve-flor”, também são sinais de alerta.
Exames ginecológicos ou urológicos são fundamentais. Em alguns casos, é indicado o teste de PCR (Reação em Cadeia da Polimerase), que identifica o tipo específico do vírus.
Vacina existe — e salva vidas – A principal forma de prevenção continua sendo o uso de preservativo e a vacinação oferecida pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
A vacina é aplicada em duas doses, com intervalo de seis meses. Para pessoas com HIV e transplantadas, o esquema é de três doses (0, 2 e 6 meses). O público-alvo inclui meninas de 9 a 14 anos, meninos de 11 a 14 anos, pessoas vivendo com HIV e transplantados entre 9 e 26 anos.
“O principal objetivo da vacinação é gerar imunidade sem que o organismo precise enfrentar a doença. No caso do HPV, isso significa reduzir drasticamente o risco de câncer relacionado ao vírus”, alerta o ginecologista e membro da ONA – Organização Nacional de Acreditação, dr. Daniel Buttignol.
Desinformação ainda é barreira – Apesar da vacina estar disponível gratuitamente, a falta de informação ainda pesa. Estudo da Fundação Nacional do Câncer mostra que 37% dos adolescentes não sabiam que a vacina previne o câncer do colo do útero. Entre 36% e 57% acreditavam que ela poderia fazer mal à saúde. E 82% achavam, equivocadamente, que protege contra outras ISTs.
Também chama atenção o fato de 17% não associarem a vacina à prevenção do câncer e 22% acreditarem que poderia estimular o início precoce da vida sexual — um mito já amplamente desmentido por especialistas.




